O “centro” europeu está se segurando – e Trump planeja explodí-lo
Apesar das recentes vitórias eleitorais de moderados nos Países Baixos, na Alemanha e no Reino Unido, a extrema direita está mais forte do que nunca.
Nas eleições recentes, eleitores na Europa deram esperança a políticos centristas acuados em todo o mundo ocidental.
Donald Trump pode ter retornado triunfalmente à Casa Branca, mas o movimento internacional de populistas alinhados ao MAGA encontrou dificuldades do outro lado do Atlântico. Em eleições no Reino Unido, França, Alemanha, Países Baixos, Romênia — e em uma votação abrangendo 27 países da União Europeia para o Parlamento Europeu — candidatos do mainstream derrotaram linha-dura populistas e nacionalistas de extrema direita.
“Ainda existe uma maioria no centro a favor de uma Europa forte, e isso é crucial para a estabilidade”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após as eleições do Parlamento Europeu no ano passado. “Em outras palavras, o centro está se mantendo.”
Dezesseis meses depois, porém, essa sustentação parece tudo menos segura.
Políticos da direita dura e da extrema direita agora lideram as pesquisas na França, no Reino Unido e até na Alemanha. A taxa de aprovação do primeiro-ministro britânico Keir Starmer é desastrosa, de apenas 21%. Seu equivalente francês, Emmanuel Macron, está ainda pior, com 11% — e o clima é tão sombrio que o espetacular roubo ocorrido no Louvre neste outono vem sendo tratado por alguns como uma grande metáfora de um país incapaz de administrar seus desafios.
Até mesmo os próprios conservadores europeus de von der Leyen agora dependem dos votos de parlamentares da extrema direita para aprovar seus planos em Bruxelas. Um centrista indignado comparou a mudança à postura de políticos alemães que facilitaram a ascensão de Adolf Hitler ao poder.
Enquanto isso, populistas nos extremos se apresentam como a alternativa óbvia para populações que desejam mudança. E agora eles podem contar com a ajuda de Trump: em uma ruptura brutal das normas transatlânticas, uma nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA pretende usar a diplomacia americana para fomentar a “resistência” ao politicamente correto na Europa — especialmente em relação à migração — e apoiar partidos que descreve como “patrióticos”. O próprio Trump disse à POLITICO que apoiaria candidatos que, em sua visão, colocassem a Europa no rumo certo.
Seguindo essa trajetória, nos próximos quatro anos o mapa político do Ocidente pode enfrentar sua transformação mais dramática desde a Guerra Fria. As implicações para a geopolítica, do comércio à defesa, podem ser profundas.
“O que [os europeus] estão recebendo de Trump é a estratégia da polarização máxima, que esvazia o centro”, disse Will Marshall, do Progressive Policy Institute, think tank centrista americano que apoiou Bill Clinton nos anos 1990. “Os velhos partidos estabelecidos de esquerda e de direita que dominaram o período do pós-guerra ficaram mais fracos”, afirmou. “A revolta da direita nacionalista ou populista é contra eles.”
Em lugar nenhum essa transformação recente é mais dramática do que no Reino Unido.
Enquanto o sol se põe em direção ao horizonte sobre um mar calmo, numa noite de quinta-feira de novembro, meia dúzia de frequentadores habituais se aglomeram em torno do balcão do pub Never Say Die, a poucos metros da praia em Jaywick Sands, na costa leste da Inglaterra.
Construída nos anos 1930 como um balneário a 70 quilômetros de Londres, Jaywick é hoje o bairro mais carente do país. A área tinha uma imagem tão negativa que, em 2018, um anúncio MAGA nos EUA usou a foto de uma rua deteriorada de Jaywick para alertar sobre o futuro apocalíptico que aguardaria a América se os candidatos de Trump não fossem eleitos.
Jaywick foi nomeado o bairro mais carente da Inglaterra em outubro — pela quarta vez desde 2010.
É ali, entre bangalôs revestidos de pedriscos e bandeiras da Inglaterra penduradas, murchas, nos postes de iluminação, que uma nova força política — o partido de direita Reform UK, de Nigel Farage — construiu seu reduto.
No balcão, Dave Laurence, 82 anos, diz que normalmente não vota, mas abriu uma exceção para Farage, eleito no ano passado para representar a região. “Eu até gosto dele. Ele está fazendo o melhor que pode”, diz Laurence, enquanto toma sua cerveja, com sucessos pop dos anos 1980 tocando ao fundo. “Vou votar nele de novo.”
Laurence se descreve abertamente como “racista” e diz que nunca votaria em uma pessoa negra, como a líder do Partido Conservador de centro-direita, Kemi Badenoch. O que mais o incomoda, afirma, é o número de imigrantes que chegaram ao Reino Unido ao longo de sua vida, especialmente aqueles que cruzam o Canal da Mancha em pequenos barcos. Em breve, teme Laurence, o país estará “cheio de muçulmanos e eles vão se rebelar contra nós”.
Com sua agenda anti-establishment e anti-imigração, o Reform UK de Farage oferece aos eleitores um programa fortemente alinhado aos partidos de extrema direita que avançaram em todo o Ocidente. Segundo as pesquisas, Farage agora teria uma chance real de se tornar o próximo primeiro-ministro do Reino Unido se a eleição fosse hoje (uma eleição geral não está prevista antes de 2029).
É surpreendente notar que, tão recentemente quanto julho de 2024, o Partido Trabalhista de Starmer venceu uma eleição histórica por ampla margem, e alguns de seus assessores triunfantes viajaram aos EUA para aconselhar os democratas sobre estratégia. Hoje, Starmer é ridicularizado como “Keir da Primeira Marcha”, enquanto enfrenta rivais internos que, segundo rumores, tentam derrubá-lo. E o Reform não é a única força a remodelar a política partidária britânica. À esquerda do Labour, os Verdes também avançaram recentemente nas pesquisas, sob uma nova liderança que se define como “eco-populista”.
A ascensão fulminante de Farage, das margens ao centro de uma revolução política, traz lições que vão muito além das fronteiras britânicas. Europeus formados na velha escola da política tradicional temem que o centro histórico — seu terreno de origem — não resista.
“Instabilidade duradoura”
Macron, por sua vez, tentou conter a ascensão da direita dura convocando uma eleição antecipada para a Assembleia Nacional francesa no ano passado. A aposta deu errado, resultando em um parlamento sem maioria, incapaz de concordar sobre políticas econômicas-chave desde então. Macron é hoje historicamente impopular.
Confrontos parlamentares em torno do orçamento derrubaram três primeiros-ministros indicados por Macron desde o verão de 2024. A reação contra seu plano de elevar a idade de aposentadoria levou agências de classificação de risco a considerar um rebaixamento prejudicial. Macron, que chegou à presidência lançando um novo movimento centrista para desafiar o establishment político, agora não dispõe de uma máquina partidária tradicional para sustentá-lo. “Ele deixará um cenário político talvez duravelmente instável. É imperdoável”, disse Alain Minc, influente conselheiro e ex-mentor do presidente francês.
O caos abre espaço para os populistas. Os principais nomes que despontam nas conversas sobre a próxima eleição presidencial pertencem ao partido de extrema direita Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen, e a seu jovem presidente, Jordan Bardella, que lideram as pesquisas com 34%.
Na Alemanha, também, o centro está se erodindo de forma constante.
Embora os conservadores do chanceler Friedrich Merz tenham vencido uma eleição antecipada em fevereiro, sua coalizão ideologicamente desconfortável — formada por seu bloco conservador e o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda — detém uma das menores maiorias parlamentares desde 1945, com apenas 52% das cadeiras. Isso torna o governo vulnerável a pequenas deserções internas e dificulta a implementação de qualquer agenda ambiciosa. A esquerda Die Linke e a extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) também avançaram na última eleição, com a AfD alcançando o melhor resultado nacional de qualquer partido de extrema direita desde a Segunda Guerra Mundial.
A tentativa de Merz de neutralizar a AfD, deslocando seus conservadores fortemente à direita na questão migratória, parece ter saído pela culatra. A AfD continuou a crescer, superando os conservadores de Merz em muitas pesquisas.
A ascensão da extrema direita é um choque cultural para muitos centristas alemães, dado o desejo profundamente enraizado do país de não repetir seu passado. “Por muito tempo, na Alemanha, achamos que, com nossa história e a forma como ensinamos nas escolas, estaríamos um pouco mais imunes a isso”, disse um funcionário alemão preocupado. “Descobrimos que não estamos.”
Mesmo nos Países Baixos, onde o centrista Rob Jetten obteve uma vitória famosa, embora apertada, sobre o incendiário de extrema direita Geert Wilders em outubro, há motivos para preocupação. O Partido da Liberdade de Wilders continua sendo uma das maiores forças do país, com o mesmo número de cadeiras que o D66 de Jetten. Ele pode muito bem voltar na próxima eleição, assim como Trump voltou nos EUA.
Para onde foram todos os eleitores?
Segundo a empresa de pesquisas Ipsos, uma grande parcela dos eleitores em muitas democracias ocidentais tem pouca confiança no processo político. Embora ainda acreditem em valores democráticos, estão insatisfeitos com a forma como a democracia funciona para eles.
Uma grande pesquisa com cerca de 10 mil eleitores em nove países mostrou que 45% estavam insatisfeitos, alimentando o apoio aos extremos. Entre eleitores da extrema esquerda (57%) e da extrema direita (54%), os níveis de insatisfação eram os mais altos.
Os países com maiores taxas de insatisfação no estudo da Ipsos foram França e Países Baixos, onde a turbulência política corroeu a confiança no sistema.
Segundo Gideon Skinner, da Ipsos, além da pandemia de coronavírus e do impacto dos lockdowns, os principais motores da insatisfação foram o custo de vida, a imigração e o crime. A confiança na política caiu nos anos 1990 e sofreu novo golpe no fim dos anos 2000, durante a crise financeira, afirmou.
“Pode haver fatores específicos que tenham piorado a situação nos últimos anos, mas isso também é uma condição de longo prazo”, disse Skinner à POLITICO. “É algo com que precisamos nos preocupar, e não existe uma bala de prata capaz de resolver tudo.”
Talvez o maior problema para os centristas no poder seja que, na maioria dos casos, suas economias estão tão estagnadas que lhes falta poder fiscal para gastar dinheiro e enfrentar as questões que mais preocupam os eleitores desiludidos — como o alto custo de vida, os serviços públicos deteriorados e a migração.
A emergência da desigualdade
A crise financeira de 2008 e os lockdowns da pandemia de 2020–21 deixaram muitos governos sem recursos. No Reino Unido, por exemplo, a economia era 16% menor do que deveria ser uma década após o colapso de 2008, caso as tendências anteriores de crescimento tivessem continuado, segundo Anand Menon, professor de política europeia no King’s College London.
“De forma crucial, o impacto da crise financeira, como o impacto de tantas outras coisas em nossa política, foi profundamente desigual”, disse Menon. “Lugares prósperos, com alta produtividade e mão de obra bem qualificada sofreram muito menos do que as partes mais pobres do país.”
O economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel, apresentou em novembro um estudo ao G20 alertando que o mundo enfrenta uma “emergência de desigualdade”. Alimentada por guerra, pandemia e disrupções no comércio, a crise corre o risco de preparar o terreno para mais líderes autoritários, segundo o relatório.
Em muitos países ocidentais, o “centro” é mais do que uma metáfora. É nas capitais — como Londres, Paris e Washington — que poder e dinheiro se concentram, e onde as elites econômicas e políticas procuram manter seu controle sobre o status quo.
Quanto mais se viaja para longe desses centros, rumo a áreas em declínio, maior é a probabilidade de encontrar apoio a políticas radicais.
Como observa Menon, a revolução britânica de 2016 — o referendo que decidiu pela saída da União Europeia após quase meio século de filiação — pode ser mapeada pela geografia culinária do país.
A Pret a Manger é uma sofisticada rede nacional de sanduíches e cafés, voltada a passageiros e trabalhadores de escritório em cidades britânicas ricas e bem-sucedidas. “Lugares que tinham uma Pret votaram por permanecer”, disse Menon. Regiões do Reino Unido com salários medianos mais baixos tenderam desproporcionalmente a votar pela saída da UE.
Imigração, imigração, imigração
Após o referendo do Brexit em 2016, a imigração caiu na lista de prioridades dos eleitores britânicos, e o próprio Farage recuou. Ambos agora retornaram, à medida que Farage surfa na onda de manchetes sobre migrantes irregulares chegando em pequenos barcos vindos da França.
De janeiro a maio deste ano, houve um recorde de 14.800 travessias em pequenos barcos, 42% a mais do que no mesmo período do ano anterior, segundo o Observatório de Migração da Universidade de Oxford.
Para Laurence, no pub Never Say Die, os pequenos barcos representam o maior de todos os problemas. “O que vai acontecer daqui a 10 anos? O que vai acontecer daqui a 20 anos quando o pessoal dos barcos continuar chegando?”, perguntou.
Uma década atrás, a então chanceler alemã Angela Merkel abriu as portas para centenas de milhares de refugiados que chegavam à Europa vindos da Síria, além do Afeganistão e do Iraque. A AfD disparou nos meses seguintes, mudando permanentemente a política alemã. Na eleição de fevereiro, a AfD obteve um recorde de 21% dos votos, ficando em segundo lugar, atrás do bloco conservador de Merz.
“O fracasso fundamental que é comum a toda a comunidade transatlântica [centrista] está na imigração”, disse Marshall, do Progressive Policy Institute. “Todos os movimentos de extrema direita fizeram disso sua principal pauta.”
É a ameaça percebida que ondas de migração representariam para as culturas nacionais tradicionais que impulsiona grande parte do apoio à extrema direita. A Casa Branca de Trump agora está pronta para se somar à luta dos nacionalistas europeus.
Segundo um novo documento da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, divulgado em dezembro, a Europa enfrenta uma “erradicação civilizacional” devido à imigração irrestrita, além da queda das taxas de natalidade. A análise recorre à chamada teoria da “grande substituição”, uma teoria conspiratória racista. A liberdade de expressão — ao menos na definição do MAGA — é outra vítima do governo centrista convencional na Europa, à medida que o politicamente correto se transforma em “censura”, afirma o documento americano.
Em entrevista à POLITICO nesta semana, Trump alinhou-se plenamente ao documento estratégico. As nações europeias estão “em decadência”, e seus líderes “fracos” podem esperar ser desafiados por rivais com apoio americano, disse ele. “Eu apoiaria”, acrescentou.
Em Bruxelas, o golpe duplo da entrevista do presidente e do documento estratégico deixou diplomatas e autoridades novamente abalados e alarmados, após um período em que se permitiram esperar que a aliança transatlântica não estivesse morrendo. Um diplomata da UE foi direto ao avaliar o novo método de Trump: “É autocracia.”
As joias roubadas
Às vezes, é preciso um acontecimento aleatório — aparentemente desconectado da política — para cristalizar o humor nacional. Em Paris, o roubo das inestimáveis joias da coroa francesa no Louvre ofereceu exatamente essa oportunidade, transformando-se em uma acusação contra um establishment incapaz de fazer o trabalho direito, mesmo quando esse trabalho se resume a trancar adequadamente as janelas do museu mais famoso do mundo. O líder do Reagrupamento Nacional, Jordan Bardella, chamou o episódio de “humilhação” antes de perguntar: “Até onde irá o colapso do Estado?”
Na Grã-Bretanha, apenas um mês após a vitória de Starmer no ano passado, eclodiram tumultos em todo o país, alimentados por extremistas de extrema direita. O estopim foi o assassinato de três meninas de 6, 7 e 9 anos em Southport, no noroeste da Inglaterra, por um adolescente negro que foi erroneamente identificado nas redes sociais — em postagens amplificadas pela extrema direita — como muçulmano.
Na época, Farage sugeriu que a polícia estaria ocultando a verdade sobre o suspeito, provocando a fúria de políticos do mainstream. Embora tenha enfatizado que não apoiava a violência, Farage atacou o que chamou de “policiamento em dois níveis”, expressão popular entre comentaristas de extrema direita que afirmam que a polícia trata manifestantes de direita com mais rigor do que os de esquerda.
É uma opinião que ressoa em Jaywick. Chennelle Rutland, 56 anos, caminha com seus dois cães pela orla, admirando a vista enquanto o sol se põe, tingindo o céu de laranja e depois roxo. As cores se refletem na superfície do mar calmo. “É uma regra para uns e outra para outros”, diz ela. “Os brancos têm que ficar calados porque, se você diz qualquer coisa, já é ‘racista’ e ‘extrema direita’.”
Seria errado caracterizar os moradores de Jaywick como simplesmente ignorantes ou cheios de raiva. Muitos dos que falaram com a POLITICO ali eram alegres, satisfeitos com sua comunidade e bem informados sobre as notícias. Mas, assim como se afastaram do establishment centrista do país, também passaram a ignorar suas fontes de informação preferidas.
Em Jaywick, alguns eleitores de Farage preferem a GB News, a resposta britânica à Fox News, lançada em 2021, ou se informam por meio do YouTube e de outras redes sociais. A BBC — por décadas o pilar da mídia britânica — perdeu parte de seu público ali. Comentadores e políticos de direita a atacam como tendenciosa. Trump recentemente se juntou às críticas, ameaçando processar a emissora por uma edição que, segundo ele, fez parecer de forma enganosa que ele incitava explicitamente a violência. O diretor-geral e o chefe de jornalismo da BBC renunciaram. No processo, mais um pedaço do antigo centro britânico foi cedendo.
E agora?
Há motivos para esperança entre os centristas. Em Roma, o partido de direita dura Irmãos da Itália, de Giorgia Meloni, tornou-se menos extremo no poder, e os piores temores dos moderados sobre um grupo com raízes históricas no neofascismo não se concretizaram. Ela permanece popular e, enquanto promove uma guerra cultural em casa, evitou a ira da liderança da UE e manteve Trump por perto.
Populistas e nacionalistas nem sempre vencem. Trump perdeu em 2020. Nos Países Baixos, Wilders perdeu em outubro deste ano, ainda que por margem mínima. Na Romênia, Nicușor Dan venceu a presidência como centrista em maio, também derrotando seu adversário de extrema direita por pequena diferença.
Obstáculos estruturais também podem desacelerar o avanço dos radicais. O sistema eleitoral britânico de maioria simples dificulta o sucesso de novos partidos. O sistema francês de dois turnos, até agora, impediu que o Reagrupamento Nacional de Le Pen chegasse ao poder, à medida que centristas se unem para apoiar moderados. Na Alemanha, existe um “cordão sanitário” semelhante, pelo qual partidos de centro mantêm a extrema direita fora do governo.
Mesmo liderando as pesquisas por um período prolongado e vencendo eleições locais no Reino Unido, Farage não convenceu os eleitores de que o Reform governaria bem. Até alguns de seus apoiadores temem que ele não esteja à altura do cargo.
O problema, para os centristas que estão no poder, é que muitos eleitores parecem achar que eles também não estão à altura. E, seja ao lidar com a migração, combater a desigualdade ou simplesmente reforçar a segurança em torno da Mona Lisa, essa é uma reputação que precisarão corrigir para sobreviver — uma tarefa nada fácil, dadas as dificuldades intratáveis que o mundo rico enfrenta.
O próximo ano trará mais eleições nas quais os centristas — e seus rivais populistas — serão testados. Na Hungria, o primeiro-ministro Viktor Orbán, há muito visto como o “menino mau” da extrema direita na política da UE, luta para se manter no poder em uma eleição prevista para abril. Há votações regionais na Alemanha em que a AfD deve prosperar. A França pode precisar de mais uma eleição antecipada para pôr fim à sua paralisia política. Diplomatas e autoridades de Trump estarão prontos para intervir.
O partido de Farage também estará nas urnas em 2026: espera-se que avance no País de Gales, na Escócia e em eleições locais em outras regiões na próxima primavera. Depois disso, seus olhos estarão voltados para a eleição geral do Reino Unido prevista para 2029 — quando a política europeia poderá parecer muito diferente.
“Claro que conheço o senhor Orbán e claro que conheço Giorgia Meloni, claro que conheço essas pessoas”, disse Farage à POLITICO em um recente comício do Reform. “Suspeito que, depois do próximo ciclo eleitoral na Europa, haverá ainda mais pessoas que eu conhecerei.”
