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Líder da extrema direita polonesa enfrentará julgamento
Antifascismo

Líder da extrema direita polonesa enfrentará julgamento

Grzegorz Braun será julgado por diversos crimes cometidos durante sua campanha presidencial

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Via Notes from Poland

Tempo de leitura: 5 minutos.

O líder da extrema direita polonesa, Grzegorz Braun, será novamente julgado, depois que os promotores apresentaram uma denúncia contra ele por uma série de atos anti-ucranianos, antissemitas, anti-LGBT e anti-União Europeia cometidos durante sua campanha presidencial no ano passado.

Braun já responde separadamente a um processo por uma série de outros supostos crimes, incluindo um ataque a uma cerimônia religiosa judaica no Parlamento. Ele também enfrenta novas acusações por diversas outras supostas infrações.

Na quarta-feira, a Procuradoria Distrital de Varsóvia anunciou que havia denunciado Braun por quatro supostos crimes. Isso foi possível depois que o Parlamento Europeu, onde Braun exerce o mandato de eurodeputado, retirou sua imunidade parlamentar no início deste ano.

Uma das acusações, por difamação criminosa, decorre de uma declaração feita por Braun durante um debate presidencial televisionado em abril do ano passado. Na ocasião, ele afirmou que os narcisos amarelos de papel distribuídos anualmente em Varsóvia para marcar o aniversário do Levante do Gueto de Varsóvia de 1943, contra o domínio da Alemanha nazista, eram “símbolos de vergonha”.

Os promotores afirmam que as palavras de Braun foram “extremamente xenófobas, manipuladoras e agressivas” e que difamaram os organizadores da campanha de distribuição dos narcisos, em particular o Museu POLIN da História dos Judeus Poloneses, em Varsóvia.

Durante o mesmo debate, Braun também alertou para a “judaização” da Polônia, afirmando que “os judeus têm influência demais nos assuntos poloneses”. A declaração provocou protestos de alguns de seus adversários, um dos quais apresentou uma denúncia à Promotoria.

Duas outras acusações dizem respeito ao roubo de bandeiras. Em um dos episódios, Braun e seus apoiadores retiraram uma bandeira ucraniana que estava hasteada em frente à prefeitura da cidade de Biała Podlaska, durante um ato de campanha. Em outro, ele retirou uma bandeira da União Europeia do Ministério da Indústria, na cidade de Katowice, e ateou fogo nela.

Braun ataca regularmente o que chama de “ucranização” da Polônia, alertando para os supostos perigos da presença de tantos refugiados e migrantes ucranianos no país. Ele também é um crítico ferrenho da União Europeia. Nessas e em outras questões, sua retórica frequentemente reproduz a propaganda russa.

A última acusação, de dano ao patrimônio, está relacionada a um episódio ocorrido em junho de 2025, quando Braun vandalizou uma exposição sobre a comunidade LGBT+ no Parlamento polonês. Ele condena regularmente o que chama de “perversões” das pessoas LGBT+ e já defendeu a criminalização da homossexualidade.

As acusações contra Braun podem resultar em penas de prisão de até cinco anos no caso de dano ao patrimônio e de até um ano nos casos de difamação criminosa e roubo.

Além disso, o vice-líder do partido de Braun, a Confederação da Coroa Polonesa (KKP), Roman Fritz, foi denunciado por cumplicidade no roubo da bandeira da União Europeia, enquanto outros quatro homens — que, de acordo com a legislação polonesa, não abriram mão do direito ao anonimato — foram denunciados por seus supostos papéis no roubo das bandeiras da União Europeia e da Ucrânia.

Os quatro episódios pelos quais Braun foi denunciado ocorreram durante sua campanha para as eleições presidenciais de maio de 2025, nas quais terminou em um surpreendente quarto lugar, com 6,3% dos votos.

Desde então, a KKP continua apresentando um bom desempenho nas pesquisas de opinião, com apoio atualmente em torno de 9%. Caso obtenha um resultado semelhante nas eleições parlamentares do próximo ano, o partido provavelmente terá um papel importante na definição de qual tipo de governo poderá ser formado.

Grande parte da imagem política de Braun foi construída em torno de declarações e ações provocativas. O político já responde a um processo por seu ataque a uma cerimônia judaica de Hanukkah realizada no Parlamento, durante a qual apagou as velas utilizando um extintor de incêndio.

Em seu comunicado de quarta-feira, a Procuradoria de Varsóvia observou que as audiências mais recentes desse processo haviam sido canceladas depois que Braun apresentou um atestado médico para justificar sua ausência.

No entanto, os promotores ressaltaram que, na última sexta-feira, justamente no dia em que as audiências deveriam começar, Braun participou de um protesto de apoiadores da oposição em frente ao Tribunal Constitucional, em Varsóvia. Naquela noite, o tribunal havia sido ocupado por juízes apoiados pelo governo.

Segundo os promotores, Braun foi fotografado “entrando em confronto físico com policiais de choque, dirigindo-se à multidão e concedendo entrevistas”, demonstrando “não apresentar sinais de problemas de saúde que o impedissem de comparecer à audiência”. Por esse motivo, solicitaram ao tribunal que investigue o médico responsável pela emissão do atestado.

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