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O movimento para deter Tommy Robinson: os próximos passos
Extrema Direita

O movimento para deter Tommy Robinson: os próximos passos

Lindsey German sobre a luta contra o fascismo após o sábado e mais uma guerra fracassada dos EUA

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Via Counter Fire

Tempo de leitura: 7 minutos.

O sábado foi uma enorme vitória para antirracistas e antifascistas. A Together Alliance contra a extrema direita mobilizou meio milhão de pessoas nas ruas de Londres. Isso já foi um feito importante por si só — demonstrou que existe um sentimento muito forte contra a extrema direita e suas políticas, além de evidenciar a amplitude do apoio, que incluiu sindicatos, grupos de campanha, o movimento pela Palestina e contra a guerra (que organizou uma grande marcha que se juntou ao ato principal), ONGs, organizações de apoio a refugiados e muito mais.

A marcha teve um significado adicional por conta de seu contexto. A aliança surgiu após o fascista Tommy Robinson organizar uma grande manifestação chamada “Unite the Kingdom”, que contou, entre outros, com a participação de Elon Musk e teve um caráter anti-muçulmano, racista e hostil ao movimento pela Palestina. Esse ato — estimado em até 200 mil pessoas — causou impacto na esquerda, especialmente porque a contramanifestação foi cercada (“kettled”) por grupos fascistas durante várias horas.

O sábado passado foi uma resposta a isso. Superou amplamente em número a marcha da extrema direita de setembro passado, mostrou que forças muito significativas estão dispostas a ir às ruas e deu confiança a antirracistas em todos os lugares. Também evidenciou que há uma forte oposição à narrativa de setores da mídia e de políticos que buscam culpar migrantes e muçulmanos.

Mas, embora seja correto celebrar esse sucesso, é preciso reconhecer que no sábado venceu-se uma batalha, não a guerra. A questão central agora é o que vem a seguir. O partido Reform deve ter um bom desempenho nas eleições de maio. Tommy Robinson planeja outra marcha para 16 de maio — deliberadamente marcada para o mesmo dia da marcha anual que lembra a Nakba palestina. Escandalosamente, a Polícia Metropolitana concedeu a ele todo o espaço de Whitehall, Parliament Square e Trafalgar Square, enquanto recusou ao movimento palestino a rota solicitada anteriormente.

É necessário organizar-se agora em todos os níveis para impedir outra marcha de ódio da extrema direita. Isso significa construir a organização da Together em cada localidade, uma campanha séria para derrotar o Reform nas urnas e barrar Robinson nas ruas na semana seguinte. Também significa enfrentar a política da extrema direita e sua conexão com a guerra e com Israel. Cada vez mais, a aliança contra o movimento pela Palestina reúne monarquistas iranianos, sionistas de direita e fascistas. São esses grupos que compõem os contraprotestos às manifestações pró-Palestina (no sábado, exibiam bandeiras de Israel, do monarquismo iraniano e dos EUA, celebrando Trump e Netanyahu). A extrema direita internacional atua da mesma forma.

Guerra e racismo andam de mãos dadas — como o Stop the War já alertava há 25 anos, no início da “Guerra ao Terror” — e a política externa britânica é um fator que alimenta o racismo. Isso significa que é preciso fortalecer, entre os manifestantes de sábado, a oposição à política externa e ao genocídio. Isso é particularmente importante nos sindicatos, onde algumas lideranças apoiam o aumento dos gastos militares, algo que precisa ser contestado com mais força.

Essa abordagem — mais do que apelos genéricos contra o racismo — será fundamental para derrotar a agenda da extrema direita. Essa agenda é amplamente favorecida pelo Estado e pela mídia. Vemos isso no apoio a Netanyahu e Trump, e na postura cada vez mais tendenciosa da polícia em relação às manifestações pró-Palestina. A cobertura da grande manifestação de sábado pela mídia foi, em grande parte, superficial e limitada. Em contraste, o protesto de Tommy Robinson em setembro passado foi amplamente coberto e ajudou a definir a agenda política — enquanto agora praticamente não há análise séria sobre o tamanho, o significado e as implicações da mobilização atual, por exemplo, para a política migratória.

A marcha também foi atacada pela mídia de direita nos dias anteriores, com críticas de figuras sionistas por incluir organizações muçulmanas e pró-Palestina. Isso não é novidade no caso do Board of Deputies of British Jews, que historicamente chegou a orientar judeus a não participarem da Batalha de Cable Street contra os fascistas de Mosley em 1936. É significativo que critique uma grande marcha antirracista porque sua oposição à causa palestina se sobrepõe à preocupação com o racismo.

Assim, a próxima mobilização — em 16 de maio — exigirá uma grande participação em defesa da Palestina e contra o racismo, além do fortalecimento de uma política que conecte essas duas lutas.


A guerra de Trump: não está saindo como planejado

Um mês após o início da guerra que Donald Trump acreditava que terminaria em poucos dias, há sinais de que o conflito deve se prolongar. As declarações cada vez mais erráticas de Trump oferecem apenas uma visão parcial do que os EUA pretendem fazer. Segundo o Washington Post, o Pentágono está elaborando planos para o envio de tropas terrestres ao Irã — não uma invasão total, mas possivelmente a ocupação da ilha de Kharg ou de áreas costeiras próximas ao Estreito de Ormuz. Um terceiro porta-aviões — o George H.W. Bush — está deixando Norfolk, na Virgínia, rumo ao Oriente Médio, após o Gerald R. Ford ter sido deslocado para Creta para reparos, supostamente após um incêndio.

O dilema dos EUA é o seguinte: afirmam ter destruído grande parte das forças armadas iranianas — o que não surpreende, dado o nível massivo de bombardeios —, mas continuam enfrentando ataques, e o Irã não recua, apesar das declarações de Trump. Agora, os Houthis no Iêmen também estão atacando Israel, e o Hezbollah segue resistindo no Líbano.

A superioridade militar dos EUA tem limites. Porta-aviões — centrais na estratégia da Segunda Guerra Mundial — são menos eficazes nesse tipo de conflito. Os sistemas de defesa antimísseis são extremamente caros e exigem reposição constante. O custo da guerra é enorme, e, a longo prazo, há riscos para o abastecimento global de alimentos e energia, especialmente devido ao controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.

A história poderia oferecer lições. Como apontado em análises recentes, a guerra aérea costuma ter eficácia limitada, apesar de causar enormes vítimas civis. Os EUA foram derrotados no Vietnã, apesar de bombardeios massivos e do uso de Napalm e Agente Laranja. As invasões do Afeganistão e do Iraque terminaram em retirada. Intervenções no Oriente Médio fortaleceram Israel, mas a um custo elevado. Enviar tropas terrestres ao Irã, onde estariam vulneráveis, parece mais um plano fadado ao fracasso.

Os povos do Oriente Médio, da Europa e dos próprios Estados Unidos pagarão o preço.

Não é surpresa que Trump esteja perdendo popularidade — no sábado, estima-se que entre 8 e 9 milhões de norte-americanos participaram de manifestações “No Kings” em todo o país, um dado significativo. Enquanto isso, membros do governo seguem pedindo que a população “mantenha a calma e siga em frente”. Isso dificilmente ocorrerá quando os preços de alimentos e energia dispararem ou quando a guerra se ampliar. É preciso pôr fim a essa guerra agora.


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