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Comitê Internacional avança na organização da Conferência Antifascista
Antifascismo

Comitê Internacional avança na organização da Conferência Antifascista

Terceira reunião reuniu militantes de 4 continentes, consolidou apoios políticos e sindicais e debateu desafios organizativos para a conferência de março de 2026

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Via Conferência Internacional Antifascista

Tempo de leitura: 21 minutos.

A terceira reunião do Comitê Internacional da Conferência Internacional Antifascista e pela Soberania dos Povos, realizada na última quarta-feira (28/1/2026), confirmou Porto Alegre como um dos importantes  polos de articulação internacional antisfascista e anti imperialista no atual período histórico. O encontro virtual, que reuniu cerca de 60 militantes da América Latina, America do Norte, Europa, Ásia e África, ocorreu em um contexto marcado pelo agravamento da ofensiva imperialista, pela escalada global da extrema direita e por episódios que romperam abertamente com o direito internacional – como o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Diante desse cenário, os participantes reafirmaram a urgência de construir respostas unitárias, organizadas e internacionalistas, capazes de articular lutas antifascistas, anti-imperialistas, antirracistas e em defesa da soberania dos povos.

A reunião foi aberta pela presidenta do PSOL do Rio Grande do Sul e integrante do Comitê Local, Gabrielle Tolotti, que destacou o duplo objetivo do encontro: combinar debate político e encaminhamentos organizativos. Em seguida, o vereador de Porto Alegre e dirigente do PSOL, Roberto Robaina, sublinhou o crescimento político da conferência desde a última reunião internacional.

“Da última reunião para cá, a nossa conferência ganhou força, ganhou corpo, ganhou representatividade no plano internacional e no plano nacional”, afirmou, ressaltando as dificuldades – e a importância estratégica – de construir uma iniciativa unitária diante da fragmentação histórica da esquerda.

Robaina contextualizou o momento internacional como decisivo para a realização da conferência.

“A exigência de uma articulação antifascista nunca foi tão atual, depois de uma situação tão inaceptable como essa, em que houve o sequestro de um presidente”, disse, referindo-se à Venezuela.

Ele também destacou o impacto do manifesto internacional articulado pelo CADTM e por Eric Toussaint, que reuniu centenas de personalidades políticas, intelectuais e militantes.

Eric Toussaint (CADTM) congratulou-se com o sucesso do apelo internacional, precisando, no entanto, que não há qualquer obrigação de assinar esse apelo para que pessoas e organizações possam apoiar e participar da conferência em Porto Alegre, de 26 a 29 de março de 2026.

“Foi um manifesto de apoio à conferência e de afirmação de princípios fundamentais que têm nos movido”, avaliou, lembrando que o documento alcançou inclusive a imprensa burguesa, como a Folha de S. Paulo.

Ao tomar a palavra, Eric Toussaint detalhou a ampla repercussão internacional do chamado.

“Conseguimos ganhar uma audiência importante no nível internacional. Era a ideia com este chamado”, explicou. “Houve uma excelente repercussão em espanhol, porque o site Diário Público.es  [Espanha] (https://www.publico.es/internacional/llamamiento-accion-antifascista-antiimperialista-internacional.amp.html) fez uma nota sobre isso, seguido pelo diário mexicano La Jornada, que é o maior diário ou o único diário importante de esquerda no México divulgaram o chamado. Em português, como mencionou o Robaina, a Folha de S. Paulo, que é um grande diário burguês, publicou uma nota; e também o portal francés Blast, que tem 1,6 milhão de inscritos, publicou na página um do seu portal. Também o blog sobre Mediapart, que é outro meio alternativo importante na França. Em inglês, eu diria que é impressionante, na parte asiática, a repercussão também, porque um diário The Hindu (https://www.thehindu.com/news/international/activists-progressive-politicians-unite-in-global-call-to-strengthen-anti-fascist-action/article70542563.ece  ), que imprime a mais de 1 milhão de exemplares por dia e tem um portal muito importante, publicou uma nota em inglês, que depois foi divulgada por vários diários impressos (https://www.deshabhimani.com/News/world/international-anti-fascist-congress-69060) do Partido Comunista da Índia em idiomas nacionais. Há mais de 90 ou 100 idiomas na Índia, e o Partido Comunista da Índia tem diários em vários idiomas; e também o portal North East Now (https://nenow.in/world/over-230-global-leaders-from-50-countries-issue-unified-statement-against-neo-fascism.html ) , que é o principal portal de notícias na parte noroeste da Índia. Se publicou também em árabe, no site do CADTM, e um site anarquista da Holanda traduziu o manifesto ao holandês – e espero que, graças à sua participação, haverá tradução ao italiano e outros idiomas nas próximas semanas ou dias.”

Segundo ele, o manifesto já alcançava quase 900 novas assinaturas, incluindo organizações como os Socialistas Democráticos da América (DSA), parlamentares da França, Espanha e Reino Unido, além de militantes da Índia, do mundo árabe, da Turquia e do África subsahariana.

O dirigente do CADTM também trouxe à reunião uma preocupação concreta que atravessou diversas intervenções: as dificuldades para obtenção de vistos, especialmente para delegações da África Subsaariana.

“Ao delegado do CADTM em Mali pediram 20 documentos diferentes. Mali é um país em guerra, e ele teve que arriscar a vida para buscar um deles”, denunciou. Para Toussaint, a concessão de vistos de cortesia deveria ser tratada como prioridade diplomática, a exemplo do que ocorreu em edições do Fórum Social Mundial.

O tema foi retomado por Rodrigo Dilélio, presidente do PT em Porto Alegre, que afirmou estar em contato com o Itamaraty para buscar soluções.

“A respeito dos vistos para o Brasil, a informação que nós temos a partir de um contato que temos junto ao gabinete do ministro de Relações Exteriores de nosso país é que o procedimento para que a gente possa acelerar o processo de concessão do visto precisa ser iniciado no modo regular, habitual, e a partir do protocolo eles podem fazer as gestões aqui em Brasília para garantir a presença desses companheiros e companheiras”, disse, reconhecendo entraves burocráticos não previstos inicialmente.

Dilélio também situou a conferência no contexto nacional brasileiro, marcado pelo aumento dos feminicídios e pela reorganização pública de lideranças da extrema direita.

“As manifestações populares aqui, de algumas lideranças emergentes do campo fascista, têm trazido preocupações. Houve uma marcha nas cercanias de Brasília, na última semana, que teve em torno de 20 mil pessoas em torno de uma jovem liderança da extrema direita, abertamente fascista. E eu quero dizer com isso que a realização desta conferência no Brasil, em Porto Alegre, vai cumprir um papel muito importante para que a gente possa aumentar a nossa capacidade de compreensão política nesse período”, avaliou.

Gabrielle Tolotti voltou a intervir para detalhar os encaminhamentos práticos. Anunciou a criação de uma planilha específica para mapear, país a país, os problemas relacionados aos vistos.

“Tenho certeza que, através desse compartilhamento de informações, a gente vai conseguir sanar isso”, afirmou. “E quem precisar de alguma orientação, alguma ajuda, mande um e-mail para contato@antifas2026.org. Aliás, qualquer dúvida sobre a conferência, a gente está sempre acessando esse e-mail para resolver qualquer questão.”

Em seguida, Tolotti também apresentou as atualizações da programação no site do evento, que agora incluem os horários das atividades, como a do Fórum de Autoridades Antifascistas e uma grande marcha no dia da abertura, além de dezenas de mesas e atividades autogestionadas. Gabrielle ainda apresentou sessões do site – que está disponível em português, espanhol, francês e inglês –  e reforçou a importância da pré-inscrição no site oficial da conferência.

Na sequência, Eduardo Mancuso retomou o informe sobre o Fórum de Autoridades Democráticas Antifascistas, que ocorrerá no dia 26 de março, no período da tarde, detalhando ajustes na programação em função da conjuntura internacional. Segundo ele, a mesa de abertura, com parlamentares da esquerda da Assembleia Legislativa, foi mantida, mas houve alterações na mesa dedicada a parlamentares internacionais após o Parlamento Europeu marcar sessão plenária para a mesma data.

Eduardo Manciuso, responsável pela preparação do fórum de parlamentares e autoridades locais, confirmou a participação de Ana Miranda, eurodeputada espanhola, do deputado francês (LFI) Thomas Portes, da parlamentar britânica Zarah Sultana e do senador Humberto Costa (PT).

Mancuso destacou que a segunda mesa, dedicada à radicalização da democracia em governos populares, está plenamente confirmada, com a participação de um prefeito do Rio Grande do Sul, do ministro do Trabalho da Frente Ampla do Uruguai, do prefeito de Recoleta, no Chile, além de nomes como Mateo Lepore, prefeito de Bolonha, e Abel Prieto, ex-ministro da Cultura de Cuba e deputado da Assembleia Nacional del Poder Popular.

Participações

As intervenções dos participantes internacionais reforçaram o caráter plural e coletivo da construção. Da Espanha, Albert Sansanoda Intersindical Valenciana, sugeriu maior visibilidade às organizações do Comitê Internacional na programação oficial. De Portugal, Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, chamou atenção para a coincidência de datas com outros eventos internacionais e questionou como ampliar o impacto político da conferência nos países europeus.

“Por alguma razão, nos mesmos dias, teremos a Conferência Antifascista no Rio Grande, um encontro da Rede Futuro, no Uruguai, e também o lançamento da nova flutilha para a Palestina, que vai unir muitas figuras políticas e vai ter uma grande dimensão. Tudo isso vai acontecer exatamente nos mesmos dias, e acho que se colocam aqui algumas questões sobre a disponibilidade de várias pessoas para poderem participar. Pergunto o que pensaram para as mobilizações locais para essa conferência. Ou seja, em Portugal não será muito fácil ter um grupo que possa participar e ir até ao Brasil porque as viagens são caras. Como os movimentos poderão acompanhar a conferência?”, questionou.

A argentina Felisa Miceli – coordenadora da Corrente Nacional e Popular 25 de maio, da Argentina, e ex-ministra de Economia do governo Nestor Kirchner – destacou questões práticas entre suas dúvidas sobre o evento:

“Tenho duas perguntas. Primeira: há na Argentina um comitê pro-organizador, promotor do encontro? Porque entendo que neste país e pela proximidade seriam muitos os que deveriam participar e pela situação política que estamos vivendo – com um expoente da direita no governo que está destruindo absolutamente tudo. E, por outro lado, essa é uma pergunta para juntarmos com outros que estejam nessa possibilidade de promover o encontro e a conferência. A outra pergunta é prática, é organizativa. Estão previstas recomendações de alojamento em função do lugar aonde se vai realizar a conferência? Se for perto, podemos nos transportar com facilidade.”

Representantes de movimentos sociais e sindicais também trouxeram contribuições centrais. Andressa, do Comitê Nacional Palestino do BDS, enfatizou a centralidade da solidariedade à Palestina.

“Para nós, do BDS, essa intersecção das lutas e a resistência antifascista em relação ao que acontece na Palestina – como um laboratório para o que vem acontecendo no resto do mundo também – é importantíssima. Nos colocamos à disposição para construir os eventos e também, enfim, as mesas, o que tiver em relação à solidariedade com a Palestina”, declatou.

Quintino Severo, da CUT, registrou preocupações políticas sobre a construção da declaração final da conferência, defendendo um processo que respeite a diversidade do movimento sindical internacional.

“Talvez precisemos pensar como é que encerra a conferência. Depois se sai com a declaração final e como é que constrói essa declaração final? Eu queria trazer um pouco essa preocupação política, porque isso tem, evidentemente, mexido conosco internamente no movimento sindical -, não só no Brasil, mas principalmente no movimento sindical internacional. Então, queria deixar aqui a nossa posição registrada: queremos aprofundar esse processo de debate. Mas estaremos, evidentemente, construindo e participando da conferência, como inclusive tem uma mesa ali bem focada no mundo do trabalho e nós queremos fazer com que ela aconteça, seja bem representativa do ponto de vista do debate”, afirmou.

A situação argentina também atravessou o debate, trazendo para a reunião o peso da conjuntura concreta no Cone Sul. Jorgelina Matusevicius, da organização Vientos del Pueblo, relatou que diferentes entidades estão se articulando no país para construir uma participação coletiva na conferência, em meio a um cenário de forte ofensiva contra os direitos trabalhistas.

“Estamos vivendo um janeiro muito convulsionado na Argentina, às portas de uma reforma trabalhista completamente regressiva, que é um ataque direto ao povo trabalhador”, afirmou.

Segundo ela, as mobilizações previstas para fevereiro dialogam diretamente com a Conferência Antifascista de Porto Alegre.

“Estamos tentando gerar um estado de mobilização e, ao mesmo tempo, nos preparar para a viagem, organizar as delegações e inclusive propor alguma atividade autogestionada sobre a situação argentina”, explicou, destacando a conferência como espaço de articulação internacional das resistências.

A participação do movimento sindical da educação também foi reforçada pela intervenção de Carolina Lima, do ANDES-SN, que anunciou a adesão formal da entidade à conferência.

“Nós do ANDES Sindicato Nacional vamos subscrever o texto que foi enviado e já vamos começar a movimentar a nossa categoria para participar da delegação na Conferência Antifascista”, afirmou.

Carolina também chamou atenção para a urgência de incorporar ao debate internacional o enfrentamento à violência de gênero e à LGBTfobia.

“O Brasil voltou a ser o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo, e o feminicídio está se tornando algo epidêmico”, alertou, defendendo a criação de espaços específicos na conferência para discutir a vulnerabilidade da população LGBT e a violência contra as mulheres, no Brasil e internacionalmente.

A dirigente do PC do B e secretária de Relações Exteriores do partido, Ana Prestes, destacou o compromisso da legenda com a construção da conferência e relacionou o encontro de Porto Alegre ao agravamento da conjuntura internacional.

“A ofensiva imperialista na nossa região se aprofundou nos últimos dias, especialmente após o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada Cilia Flores, o que projetou ainda mais a importância da conferência”, afirmou. Segundo Ana, o cenário de escalada autoritária tende a ampliar o interesse e a participação no evento. “A conferência foi impactada diretamente por essa nova realidade da conjuntura internacional, e isso aumenta tanto a procura quanto os desafios organizativos. Por isso, nosso compromisso é ajudar a encontrar soluções e garantir uma conferência forte, representativa e à altura do momento político”, completou.

A secretária de Relações Internacionais do Democratic Socialists of America (DSA), Jana Silverman, afirmou a intenção de construir uma delegação numerosa dos Estados Unidos para participar presencialmente da conferência, ao mesmo tempo em que destacou a gravidade da política migratória norte-americana como expressão do racismo estrutural e da violência de Estado. Ela lembrou que, embora apenas dois cidadãos norte-americanos tenham sido recentemente assassinados pelo ICE, no último ano mais de uma dezena de pessoas migrantes perderam a vida em ações do órgão.

“Isso coloca no centro do debate questões como racismo, xenofobia e quais vidas são consideradas descartáveis”, afirmou, defendendo que esses temas atravessem a programação da conferência.

Jana também levantou preocupações práticas sobre a exigência de visto para cidadãos dos EUA entrarem no Brasil, a necessidade de pontos de contato para eventuais entraves burocráticos e questões de logística, como hospedagem e interpretação simultânea em inglês. Além disso, colocou à disposição a possibilidade de articular a participação de representantes eleitos ligados ao DSA, reforçando o interesse em contribuir tanto politicamente quanto organizativamente para o êxito do encontro.

Marcia Campos, dirigente do PC do B e integrante da Secretaria Nacional de Mulheres do partido, ressaltou a dimensão histórica e profundamente simbólica da Conferência Internacional Antifascista para a luta das mulheres em escala global. Com uma trajetória de quase duas décadas à frente da Federação Democrática Internacional de Mulheres, Marcia afirmou que o debate em curso toca “fundo no coração das mulheres”, especialmente diante do massacre de mães e crianças em Gaza, que reacendeu a mobilização feminista contra o imperialismo e o fascismo. Ela também relacionou a realização da conferência no Brasil ao atual cenário geopolítico, criticando a postura dos Estados Unidos na região.

“Estamos vivendo um momento em que a América Latina volta a ser tratada como quintal, como se no século 21 algum país ou continente pudesse ser propriedade de alguém”, afirmou, destacando que a realização do encontro nesse território tem forte poder de polarização política e de mobilização internacional.

A vereadora Luana Alves (PSOL-SP) destacou que a conjuntura internacional recente conferiu novo peso político à Conferência Internacional Antifascista, ampliando o alcance do debate público sobre imperialismo, antifascismo e antirracismo. Segundo ela, desde o início de janeiro, especialmente após o sequestro do presidente da Venezuela, a discussão anti-imperialista ganhou uma dimensão inédita na América Latina, deixando de ser um tema restrito à militância organizada.

“Poucas vezes eu vi o debate sobre a luta contra o imperialismo e o antifascismo tão massificado”, afirmou, avaliando que a conferência tem uma oportunidade concreta de disputar a consciência pública e fortalecer as forças da esquerda internacional.

Para Luana, esse processo também revela o caráter racial do avanço da extrema direita, que tem recorrido de forma cada vez mais aberta ao supremacismo branco como estratégia de mobilização política. Nesse sentido, ela defendeu que a conferência assuma explicitamente um eixo antirracista e se consolide como espaço de articulação internacional entre movimentos negros e indígenas

“Normalmente, no enfrentamento ao fascismo, somos empurrados para a articulação apenas local. Aqui temos a chance de construir algo em escala internacional”, destacou, chamando atenção para a importância de garantir que esses movimentos se sintam parte ativa e construtora do processo político da conferência.

Do Uruguai, Daniel Dalmao, do Partido Comunista, confirmou oficialmente a participação do partido e a presença do ministro do Trabalho, Juan Castillo.

“Há um ambiente muito ofensivo e forte para a participação de uruguaios e uruguaias”, disse, referindo-se às mobilizações anti-imperialistas no país.

Sanando dúvidas

Respondendo às dúvidas levantadas pelos participantes, Gabrielle Tolotti detalhou os encaminhamentos organizativos e políticos da Conferência Internacional Antifascista, destacando o caráter coletivo e em construção do processo. Ela explicou que está em andamento a formação de uma lista internacional de entidades convocantes, ressaltando que a participação em reuniões não implica automaticamente subscrição, razão pela qual é fundamental o preenchimento do formulário disponibilizado para contato direto com as organizações.

Gabrielle também respondeu às preocupações sobre a coincidência de datas com outros eventos internacionais, afirmando que se trata de lutas complementares dentro do mesmo campo antifascista, mas que a data da conferência é incontornável devido ao envolvimento de numerosas organizações. Sobre as mobilizações locais, informou que estão sendo estimulados comitês e atividades pré-conferência em diferentes países e cidades, como forma de ampliar o impacto político do encontro.

Em relação à logística, explicou que o site antifas2026 reúne informações sobre hospedagem e que a prioridade dos alojamentos solidários – articulados com sindicatos e organizações – será dada às delegações com maiores dificuldades financeiras, especialmente da América Latina. Gabrielle também esclareceu que a conferência garantirá tradução simultânea em quatro idiomas nos painéis oficiais e no Fórum de Autoridades Antifascistas, enquanto as atividades autogestionadas contarão com apoio de tradutores voluntários. Por fim, reafirmou que, apesar das divergências táticas naturais, há amplos acordos políticos entre as organizações envolvidas, e que o objetivo é construir coletivamente uma Carta de Porto Alegre baseada nesses consensos, expressando uma posição internacional antifascista, anti-imperialista e plural.

Na sequência, Rodrigo Dilélio concentrou sua intervenção na necessidade de organizar politicamente a manifestação que deverá encerrar a Conferência Internacional Antifascista, dialogando diretamente com as preocupações levantadas por Quintino (CUT) e Nicoleta (CGIL) sobre o manifesto final. Ele propôs a abertura imediata de uma discussão específica sobre os procedimentos e os momentos da conferência nos quais esse debate poderia ser aprofundado, sugerindo que Eric Toussaint, Juçara Dutra (pelo comitê local), Quintino (CUT) e Nicoleta (CGIL) iniciem uma articulação para avançar nesse tema e apresentar posteriormente um relato político.

Encerrando o encontro, Roberto Robaina fez uma reflexão estratégica sobre os limites e a importância da iniciativa.

“Nós não temos a ilusão de que a conferência dê conta de uma necessidade gigantesca, que é construir um processo unitário mundial de luta antifascista”, afirmou. Ainda assim, defendeu o encontro como um passo concreto contra a fragmentação. “É totalmente insuficiente, mas é um passo. Um pontapé inicial”, concluiu, reafirmando Porto Alegre como um espaço simbólico e político para a retomada da articulação internacional da esquerda no século XXI.

Participantes da terceira reunião do Comitê Internacional:

NomeOrganizaçãoPaís
Andressa SoaresComité Nacional Palestino do BDSBrasil/Palestina  
Penelope DugganInternational Viewpoint/Fourth International   France
Jana Silverman  Democratic Socialists of America (DSA)United States/Brazil
Rodrigo Campos DilelioPartido dos Trabalhadores Porto Alegre  Brasil  
Jorgelina Matusevicius                       Vientos del Pueblo Frente por el Poder PopularArgentina
Eduardo LucitaEDIArgentina  
Eduardo MancusoPartido dos TrabalhadoresBrasil  
Daniel DalmaoPartido Comunista de Uruguay PCUUruguay  
Antonio Antunes da Cunha NetoPSOL Brasil  
Juan TortosaCADTM  y solidaritéS Suisse           Suisse  
Mariana MortáguaBloco de Esquerda    Portugal  
Senira BeledelliAssociação Cultural José Martí/RS e Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba-MBSC e Causas JustasBrasil
Daniele Azambuja de Borba CunhaSindicato Nacional das e dos Docentes das Instituições de Ensino Superior – ANDES-SNBrasil  
Márcia Campos  Secretária Nacional Adjunta de Mulheres do PCdoB Brasil, membro da Comissão Política Nacional e do Comitê Central do PCdoB, Presidente da Federação Democrática Internacional de Mulheres – FDIM – DE 2002 A 2018Brasil  
ALBERT SANSANO INTERSINDICAL VALENCIANAESTADO ESPAÑOL  
Federico EncisoCTA-AUTÓNOMA     Argentina
Antoine LarracheUrgence Palestine     France  
Ana Prestes   PC do B         Brasil
  William Gaviria Ocampo           Federación Nacional de Sindicatos Bancarios de Colombia (FENASIBANCOL)    Colombia
Mariana RiscaliFundação Lauro Campos e Marielle FrancoBrasil    
Gabriella LimaCADTM, Ensemble à GaucheSuíça  
Darío González P.Investigador INDEPAZColombia
Pablo Sanseverino    Partido Nacional Instrumento Electoral por
la Unidad Popular      
Argentina    
Filipe  PC do BBrasil
Claudio Anselmo de Souza MendoncaANDES-SNBrasil  
Marcos de Oliveira Soares  ANDES-SN 
Bruno MagalhãesPSOLBrasil  
Pastora FiligranaFundación Contexto y Acción EspañaEspaña
Fernanda Gadea MartínezATTAC ESPAÑA      España
TOMÁS BATTAGLINOMOVIMIENTO LIBRES DEL SUR   ARGENTINA  
Felisa Miceli   Corriente Nacional y Popular 25 de Mayo (CNP 25) . Ex Ministra de EconomíaArgentina    
José Humberto Montes de Oca LunaSINDICATO MEXICANO DE ELECTRICISTAS  (SME)México  
Caroline de Araújo LimaANDES-SNBrasil
Xabier ZabalaELA sindikatua Euskal Herria  País Vasco
Maribel Morales RoblesComité Solidaridad con Cuba en Puerto RicoPuerto Rico
JHON EDUARD CASTAÑOCADTMColombia
Vanessa Gil   Comitê Local Chileno/PSOLChile  
Sergio GarcíaMSTArgentina
Verónica CarrilloCADTM Y PSDPM    México
Aziki Omar  ATTAC CADTM MAROCMaroc
Rafael BernabeDemocracia SocialistaPuerto Rico
ÁNGEL VERA           Partido por la Victoria del PuebloUruguay  
Eric ToussaintCADTM internacionalBélgica  
Ismael idílioPartido Convergencia Popular Socialista -Frente Guasu    Paraguay
JOSE CRESPOCADTM MEXICOMEXICO    
Andrés Herrera SangabrielCADTM MÉXICO INDASS A.C (Integradora Nacional para el Desarrollo Agropecuaria Social y de Servicios A.C)Estados Unidos Mexicanos  
Roberto RobainaPSOLBrasil
Carles RieraCUPEspanha
Sushovan DharCADTM IndiaIndia
Luana AlvesPSOLBrasil  
Gabrielle TolottiPSOLBrasil  
Sérgio BellartaUSB Union LecceItália
Juçara Dutra-PT/RSBrasil  
Quintino SeveroCUTBrasil  
Maria Elena SaludasATTAC Argentina, CADTM AynaArgentina
Fernanda Gadea ATTACEspanha

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