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EUA vão financiar think tanks de extrema direita na Europa contra leis digitais
Cultura e Esporte

EUA vão financiar think tanks de extrema direita na Europa contra leis digitais

Iniciativa parte do pretexto de "proteger a liberdade de expressão" e promover as posições políticas de Washington

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Via Brussels Times

Tempo de leitura: 3 minutos.

O Departamento de Estado dos EUA planeja financiar think tanks e organizações de caridade alinhados ao MAGA em toda a Europa, sob o pretexto de proteger a liberdade de expressão e promover as posições políticas de Washington, informou o Financial Times na quinta-feira.

A iniciativa é liderada pela subsecretária de Estado para Diplomacia Pública, Sarah Rogers. Segundo o FT, ela teria se reunido com think tanks de direita e conversado, em dezembro do ano passado, com figuras proeminentes do partido Reform UK, de Nigel Farage, oferecendo financiamento para difundir os chamados “valores americanos”.

De acordo com fontes do FT familiarizadas com o assunto, o financiamento estaria ligado às comemorações do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, previstas para julho.

A estratégia de segurança nacional dos EUA, divulgada há alguns meses, defende a necessidade de “cultivar resistência”, acusa a União Europeia de promover a “censura da liberdade de expressão” e cita a migração em massa como causa de uma futura “aniquilação civilizacional”, ecoando teorias conspiratórias da extrema direita.

As fontes do FT acrescentaram que Rogers mira especificamente a Lei de Segurança Online do Reino Unido e a Lei de Serviços Digitais da União Europeia. O governo Trump enxerga essas regulações como “esquemas regulatórios fundamentalmente direcionados contra os Estados Unidos”, que buscariam atacar a liberdade de expressão, a indústria americana e a independência do setor tecnológico.

O Reform UK, conhecido por sua retórica radical anti-imigração, pareceu acolher essas intenções. Um membro sênior do partido, que conversou com Rogers, elogiou os Estados Unidos por conduzirem “uma cruzada para salvar a Europa”.

“Eles têm uma afinidade especial com o Reino Unido, mas sentem que o país está sob ameaça de forças obscuras que se espalham pela Europa”, afirmou à reportagem do FT.

A Lei de Segurança Online do Reino Unido, de 2023, exige que empresas de redes sociais, mecanismos de busca e plataformas de mensagens impeçam o acesso dos usuários a conteúdos ilegais e protejam crianças contra materiais nocivos e inadequados para a idade.

De forma semelhante, a Lei de Serviços Digitais da União Europeia obriga plataformas online a combater conteúdos ilegais, enfrentar a desinformação, proteger menores e aumentar a transparência dos algoritmos.

Um porta-voz do Departamento de Estado minimizou as acusações de financiamento encoberto — frequentemente associado a práticas ilegais ou corruptas, suborno ou lobby — e afirmou que os recursos seriam “um uso transparente e legal de verbas para promover os interesses e valores dos Estados Unidos no exterior”.

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