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Macron pede “calma” antes de ato tenso por ativista de extrema direita morto
Extrema Direita

Macron pede “calma” antes de ato tenso por ativista de extrema direita morto

O presidente francês Emmanuel Macron apelou neste sábado por moderação diante de um ato em homenagem ao ativista de extrema direita Quentin Deranque, cuja morte — atribuída à esquerda radical — deixou o país em estado de tensão

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Via RFI

Tempo de leitura: 4 minutos.

O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que seu governo realizará uma reunião na próxima semana para discutir “grupos de ação violenta”, após a morte de Quentin Deranque, que intensificou as tensões entre esquerda e direita antes das eleições presidenciais de 2027.

O jovem de 23 anos morreu devido a ferimentos na cabeça após confrontos entre apoiadores da esquerda radical e da extrema direita, à margem de uma manifestação contra um político do partido de esquerda França Insubmissa (LFI), na cidade de Lyon, no sudeste do país, na semana passada.

Um ato, amplamente divulgado online por grupos ultranacionalistas e de extrema direita, deve reunir entre 2.000 e 3.000 pessoas, com as autoridades temendo novos confrontos com manifestantes de esquerda.

Falando em uma feira agrícola em Paris, Macron pediu que “todos mantenham a calma” antes da manifestação em homenagem a Deranque em Lyon, prevista para ocorrer sob forte esquema de segurança no sábado, apesar do prefeito ecologista de esquerda da cidade ter solicitado ao Estado que a proibisse.

“Na República, nenhuma violência é legítima”, afirmou Macron, que não poderá concorrer às próximas eleições devido ao limite de mandatos. “Não há lugar para milícias, não importa de onde venham.”

Antes do ato, alguns moradores próximos ao trajeto planejado já haviam protegido as janelas térreas de suas casas, temendo distúrbios.

“A minha idade, não vou bancar o valentão. Se precisar sair, vou evitar os lugares por onde eles vão marchar”, disse Jean Echeverria, de 87 anos, morador de Lyon. “Eles vão continuar brigando entre si, isso nunca vai acabar. Entre um extremo e outro, é contínuo.”

Dois amigos de Deranque organizaram a convocação oficial da marcha em sua homenagem. No entanto, segundo o advogado da família, Fabien Rajon, os pais não participarão do ato e pediram que ele ocorra “sem violência” e “sem declarações políticas”.

Apesar disso, diversos grupos de extrema direita, incluindo a facção nacionalista Allobroges Bourgoin, ligada a Deranque, divulgaram amplamente a mobilização nas redes sociais.

As autoridades temem que ativistas de extrema direita e da esquerda radical de outros países europeus viajem até a França, aumentando o risco de confrontos.

Jordan Bardella, líder do partido anti-imigração Reagrupamento Nacional (RN), pediu que seus apoiadores não participem do ato, salvo em situações locais específicas e controladas.

Já Manuel Bompard, coordenador do LFI, apoiou o pedido do prefeito de Lyon para proibir a manifestação, alertando que se trataria de uma “manifestação fascista” que poderia reunir “mais de 1.000 neonazistas de toda a Europa”.

O ministro do Interior, Laurent Nunez, recusou-se a proibir o evento, afirmando que era necessário “equilibrar a manutenção da ordem pública com a liberdade de expressão”, e prometeu um “grande aparato policial”.

A morte de Deranque também repercutiu internacionalmente. Representantes do governo dos Estados Unidos classificaram o caso como “terrorismo” e apontaram um suposto crescimento da “esquerda radical violenta”. Já a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni chamou o episódio de “uma ferida para toda a Europa”, o que levou Macron a pedir que ela não interferisse em assuntos franceses.

Seis homens suspeitos de envolvimento na agressão foram indiciados, assim como um assessor parlamentar de um deputado da esquerda radical, acusado de cumplicidade.

Um coletivo de extrema direita chamado Nemesis, que afirma defender “mulheres ocidentais” da violência atribuída a imigrantes, declarou que Deranque estava no protesto para proteger seus membros quando foi atacado por ativistas “antifascistas”.

Ao pedir que tanto a extrema direita quanto a esquerda radical moderem suas ações, Macron reiterou que o governo fará um balanço sobre os “grupos de ação violenta” ativos e suas possíveis ligações com forças políticas.

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