A resistência de Hong Kong contra o colonialismo britânico
Em 1967, os trabalhadores da colônia criaram um comitê de resistência à violência do Reino Unido
Em 16 de maio de 1967, foi criado em Hong Kong o Comitê de Luta de Todos os Setores (All Circles Struggle Committee — ACSC), no contexto da violenta repressão policial a uma greve de trabalhadores de fábricas de flores plásticas.
Em 6 de maio, a polícia colonial britânica espancou violentamente trabalhadores em piquetes e pessoas que estavam no local, provocando indignação em massa. Protestos e confrontos com a polícia começaram a explodir por toda a cidade. Depois da criação do ACSC para coordenar um movimento contra o colonialismo, 126 comitês de luta foram formados nos dois dias seguintes para compartilhar experiências e planejar ações.
Uma semana depois, começaram a surgir greves selvagens, acompanhadas de tumultos generalizados. Em junho, foi convocada uma greve geral, que acabou perdendo força, embora paralisações em alguns setores tenham continuado até o fim de julho. À medida que a greve entrava em colapso, muitos manifestantes passaram a recorrer a ataques com bombas — reais e falsas — visando autoridades britânicas para gerar caos e interromper a normalidade da vida econômica.
Os chamados “motins de Hong Kong”, como ficaram conhecidos, duraram até dezembro, quando foram encerrados após negociações secretas entre as autoridades britânicas e o Partido Comunista da China. O partido se declarava oficialmente contrário ao colonialismo britânico, mas, na prática, a economia chinesa se beneficiava do acesso aos mercados internacionais por meio da Hong Kong britânica e, por isso, decidiu não pressionar pela retirada britânica.
Embora os protestos tenham terminado, suas consequências levaram as autoridades britânicas a implementar diversas reformas que melhoraram significativamente a vida da classe trabalhadora de Hong Kong. Entre elas estavam benefícios sociais ao estilo britânico para desempregados, pessoas com deficiência e idosos, construção de novos hospitais e moradias, abolição de algumas leis sexistas e a erradicação em grande parte da corrupção policial desenfreada.
