Em 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram uma bomba atômica sobre Hiroshima, matando dezenas de milhares de civis, apesar de muitos oficiais militares e integrantes do governo acreditarem que o ataque era desnecessário. Diversos oficiais superiores das Forças Armadas dos EUA confirmaram que o bombardeio não era necessário para derrotar o Japão e que, de fato, o país já tentava se render.
O general Dwight D. Eisenhower explicou: “Naquele momento, o Japão estava procurando alguma maneira de se render com o mínimo de perda de ‘face’ possível. Não era necessário atingi-los com aquela coisa terrível.”
O almirante William D. Leahy, ex-presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA, declarou que “o uso dessa arma bárbara em Hiroshima e Nagasaki não trouxe nenhuma ajuda material à nossa guerra contra o Japão. Os japoneses já estavam derrotados e prontos para se render. Minha opinião pessoal era que, ao sermos os primeiros a utilizá-la, havíamos adotado um padrão ético comum aos bárbaros da Idade das Trevas. Fui ensinado a não fazer guerra dessa maneira, e as guerras não podem ser vencidas destruindo mulheres e crianças”.
A US Strategic Bombing Survey também concluiu que “o Japão teria se rendido mesmo que as bombas atômicas não tivessem sido lançadas, mesmo que a Rússia não tivesse entrado na guerra e mesmo que nenhuma invasão tivesse sido planejada ou cogitada”.
Setores do governo japonês já tentavam negociar uma rendição, mas buscavam preservar a instituição do imperador, que possuía importante significado religioso. Os Estados Unidos, por sua vez, insistiam em uma rendição incondicional. No entanto, embora essa fosse supostamente a única barreira para a paz, os EUA permitiram que o Japão mantivesse o imperador mesmo após a rendição.
Diante das críticas aos assassinatos em massa de civis, alguns funcionários do governo norte-americano elaboraram a narrativa de que as bombas haviam sido utilizadas para evitar uma invasão terrestre do Japão, que teria provocado ainda mais mortes. No entanto, essa versão só foi criada em 1947, depois que a guerra já havia terminado.
