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Bombardeio de informações falsas após a crise de Ceuta, disseminadas pelas cloacas da extrema direita
Cultura e Esporte

Bombardeio de informações falsas após a crise de Ceuta, disseminadas pelas cloacas da extrema direita

Do ABC ao La Derecha Diario, passando pelo PP, Vox e Aliança Catalã, as redes sociais e os meios de comunicação estão repletos de mentiras para espalhar o ódio e conquistar votos

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Via El Triangle

Tempo de leitura: 6 minutos.

Não. Nenhum espanhol foi assassinado por imigrantes marroquinos que entraram em Ceuta em 30 de julho, nem Pedro Sánchez foi passar férias em Andorra no final de agosto; os imigrantes não comem gatos ou ratos, não chegaram ameaçando as pessoas com facões e paus, não quebraram a cruz de uma igreja e não lotaram uma estação ferroviária de Ceuta. Tudo isso são mentiras divulgadas pelas redes sociais e por determinados meios de comunicação da Fachosfera, com o objetivo de gerar tensão social e agressividade contra os migrantes e o governo espanhol e obter benefícios eleitorais.

A direita e a extrema direita espanholas, cada vez mais difíceis de diferenciar, assim como os meios de comunicação da Fachosfera — a maioria financiados por administrações governadas pelo Partido Popular (PP) e pelo Vox — já há algum tempo utilizam as redes sociais e o espaço de comunicação para difundir mentiras e falsidades com o objetivo de desgastar o governo progressista.

Fazendas de bots e muitos trolls realizam essa campanha diariamente. Na campanha criada a partir de 30 de julho, com a entrada em Ceuta de dezenas de milhares de migrantes, não faltaram deputados do PP que aderiram abertamente a esse jogo sujo.

Plataformas que analisam a autenticidade desse tipo de notícia e informação expõem suas mentiras. Verificat, Maldita.es e Newtral realizam um trabalho extraordinário nesse sentido.

No entanto, as mentiras denunciadas continuam circulando nas redes sociais.

O deputado do PP Antonio Hernando publicou no X, em 26 de agosto, a seguinte mensagem:

“Da praia para a montanha. O povo sofrendo em Ceuta com a invasão e a guerra híbrida marroquina contra nossa soberania e nossa fronteira, enquanto Sánchez pega helicóptero e Falcon para andar de bicicleta em Andorra. Sem escrúpulos nem vergonha.”

Ele acompanhou a publicação com uma imagem do presidente e de sua esposa em um teleférico. A imagem era de 31 de agosto de 2024, informação que aparecia na parte inferior da fotografia.

Quando foi repreendido durante uma sessão da comissão do Congresso na qual membros do governo compareciam para prestar esclarecimentos sobre a crise, Hernando caiu na gargalhada. Nem ele nem outros dirigentes da direita e da extrema direita que divulgaram a imagem apagaram a publicação.

O vice-secretário de Ideário Político das Nuevas Generaciones, a organização juvenil do PP, Jon Echevarría, divulgou a imagem acompanhada do seguinte texto:

“As avós de Ceuta trancadas em casa e esse sujeito no teleférico em Andorra. Traidor.”

Ele fez isso sabendo que a foto era de 2024, pois teve o cuidado de eliminar a parte em que aparecia a data. A mentira não convenceu, mas a mensagem continua em seu canal no X.

O jornal ABC foi responsável por divulgar a mentira de que Sánchez passaria alguns dias de férias em Andorra. Fez papel de ridículo, mas a Telemadrid conseguiu ir ainda mais longe. Enviou um jornalista à porta do hotel onde supostamente estaria o presidente do governo. O repórter entrou ao vivo para dizer que Sánchez não estava ali.

As cloacas midiáticas do PP e do Vox

As cloacas midiáticas e as centenas de milhares de bots e trolls controlados pela extrema direita e pela direita radical redistribuem as mentiras em massa. E ninguém se preocupa em eliminá-las. Nem os juízes nem os proprietários das plataformas que as disseminam.

Assim, podemos encontrar veículos como o La Derecha Diario, criado pelo ultradireitista Javier Negre, publicando há poucos dias a seguinte mensagem:

“A ESPANHA COMETEU SUICÍDIO. Um imigrante marroquino ESFAQUEOU no pescoço e assassinou um homem em plena luz do dia em Ceuta, deixando-o sangrando até a morte no meio da rua.”

É mentira. Esse fato não aconteceu. A Verificat desmentiu a informação.

A notícia falsa foi divulgada em 3 de agosto. Quatro dias depois, o rei Felipe VI aceitou posar para uma fotografia em Bogotá ao lado de Negre.

Alguns dias mais tarde, o sócio de Negre no La Derecha Diario, Fernando Cerimedo, foi preso em La Paz, acusado de tentar assassinar uma ex-companheira que havia engravidado. A polícia boliviana encontrou fazendas de bots nas instalações de Cerimedo.

No bombardeio de falsidades já desmentidas, há de tudo.

Em 24 de agosto, uma publicação no X trazia um vídeo no qual supostamente apareciam “imigrantes tentando ocupar ilegalmente uma casa onde vivem dois idosos”, em Ceuta. Os fatos ocorreram, na realidade, na província de Buenos Aires, em 2023.

Em outro vídeo publicado no X, afirma-se que um policial marroquino abre a cerca da fronteira de Ceuta para permitir a passagem de migrantes, relacionando as imagens à entrada de 30 de julho. Mas as imagens são de cinco anos atrás.

Outro vídeo afirma mostrar uma multidão de marroquinos caminhando em direção a Ceuta, mas as imagens correspondem a uma peregrinação na Turquia.

Migrantes que supostamente teriam atacado um veículo policial em Ceuta há alguns dias eram, na realidade, responsáveis por incidentes ocorridos durante um ato do Vox. Em Ceuta, sim, mas em 2021.

Aliança Catalã adere ao festival de mentiras

A RTVE foi acusada por essas cloacas de extrema direita de ter feito uma montagem envolvendo uma criança marroquina em Ceuta, quando, na realidade, tratava-se de uma filmagem produzida por uma emissora belga.

Um vídeo que se tornou viral durante a crise de Ceuta mostra jovens em um barco brandindo paus e facões.

“Esta é uma guerra religiosa de conquista em grande escala”

— diz o texto que acompanha imagens divulgadas cinco anos atrás.

Outra imagem mostra um migrante destruindo a cruz de uma suposta igreja em Ceuta, quando, na realidade, o fato ocorreu em 5 de julho na Índia.

Um jovem marroquino ferido e deitado em uma maca é, na verdade, um palestino vítima de um ataque israelense.

As imagens de uma garota sendo importunada por jovens magrebinos pertencem a um filme de ficção argelino.

A imagem de um migrante comendo um rato não é de Ceuta, mas da África do Sul, e foi registrada há alguns anos.

E a imagem daquele que supostamente come um gato é uma montagem feita com inteligência artificial, que substituiu por um animal o pedaço de madeira que o homem segurava na mão.

A Aliança Catalã também deu sua contribuição a esse festival de mentiras ao divulgar um áudio de uma inexistente Associação de Muçulmanos de Osona, que supostamente ameaçava enviar 80 mil marroquinos para a região caso três de seus grandes matadouros não fossem fechados.

A intoxicação informativa afeta os dois lados da fronteira.

Muitos daqueles que entraram em Ceuta em 30 de julho afirmam que o fizeram depois de ver no Facebook como uma jovem marroquina, Farah Marsawi, que havia entrado a nado na cidade autônoma dois dias antes, exibia um documento de identidade falso que dava a entender que ela já havia recebido autorização para permanecer na Espanha.

As mentiras, como ferramenta política, funcionam maravilhosamente. Por enquanto, geram ódio e confusão e rendem votos, sob a mais absoluta impunidade.

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