Em 21 de janeiro de 1950, George Orwell, célebre autor britânico e socialista que lutou contra os fascistas na guerra civil e revolução espanhola, faleceu aos 46 anos. Orwell lutou com a milícia comunista POUM e foi ferido por um tiro no pescoço, enquanto muitos jornalistas e autores ocidentais simplesmente se hospedavam em hotéis luxuosos.
Embora os conservadores gostem de citar Orwell para tentar defender a concessão de uma plataforma aos fascistas, o próprio Orwell não era tão fã, como descreveu em seu relato sobre a Guerra Civil Espanhola, Homenagem à Catalunha: “Quando me juntei à milícia, prometi a mim mesmo matar um fascista — afinal, se cada um de nós matasse um, eles logo estariam extintos”.
Ele também descreveu vividamente a atmosfera na Barcelona revolucionária: “Os anarquistas ainda controlavam virtualmente a Catalunha e a revolução ainda estava em pleno andamento… Era a primeira vez que eu estava em uma cidade onde a classe trabalhadora estava no comando… Garçons e vendedores olhavam nos seus olhos e tratavam você como um igual. Formas servis e até cerimoniais de falar desapareceram temporariamente. Ninguém dizia ‘Senhor’ ou ‘Don’ ou mesmo ‘Usted’; todos chamavam uns aos outros de ‘Camarada’ e ‘Tu’ e diziam ‘Salud!’ em vez de ‘Buenos Dias’… No entanto, pelo que se podia julgar, as pessoas estavam contentes e esperançosas. Não havia desemprego e o custo de vida ainda era extremamente baixo… Acima de tudo, havia uma crença na revolução e no futuro, um sentimento de ter emergido repentinamente para uma era de igualdade e liberdade. Os seres humanos tentavam se comportar como seres humanos e não como engrenagens da máquina capitalista. Nas barbearias havia avisos anarquistas (os barbeiros eram em sua maioria anarquistas) explicando solenemente que os barbeiros não eram mais escravos…”
