Protestos anti-ICE se espalham por todo país
Ações contra a política de imigração de Trump acontecem em centenas de cidades norte-americanas
Manifestantes se reuniram em diversas partes dos Estados Unidos nesta sexta-feira para uma greve geral nacional contra as operações federais de repressão à imigração e os recentes assassinatos cometidos por agentes de imigração.
Segundo o monitoramento do Payday Report, uma organização de notícias trabalhistas, as manifestações, organizadas sob a bandeira “National Shutdown” (Paralisação Nacional), ocorreram em pelo menos 300 cidades, com ações que variaram desde o fechamento de estabelecimentos comerciais até paralisações estudantis e marchas de rua.
Os protestos foram desencadeados pelas mortes de dois moradores de Minneapolis baleados por agentes federais neste mês. Renee Good, uma mãe de três filhos de 37 anos, foi mortalmente baleada em 7 de janeiro por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE), a agência federal responsável por fazer cumprir as leis de imigração.
Alex Pretti, um enfermeiro de terapia intensiva de 37 anos, foi morto em 24 de janeiro por agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), enquanto observava uma operação federal.
Os protestos começaram no início desta semana em campi universitários de Los Angeles. Mais de 1.000 estudantes da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) abandonaram as aulas no campus de Westwood na quarta-feira.
Na sexta-feira, pelo menos 10 locais distintos de protesto foram organizados em Los Angeles, incluindo concentrações na Prefeitura, no centro de detenção do ICE no centro da cidade e em bairros como Echo Park, Santa Monica e Pasadena.
Rachel Elder, que participou de um protesto com seu filho, disse à Xinhua que estava se manifestando contra o que descreveu como violência ilegal por parte de agentes do ICE. “Estou aqui com meu filho porque estamos protestando contra a ocupação do ICE e a violência ilegal, os assassinatos que os agentes cometeram contra manifestantes inocentes”, afirmou.
Além da participação individual, muitos estabelecimentos comerciais também aderiram aos protestos fechando ou alterando seu funcionamento. Em Boyle Heights, um ponto central das manifestações locais, restaurantes, cafés e lojas ao longo da Avenida Cesar Chavez fecharam as portas, muitos exibindo cartazes com os dizeres “FUERA ICE” (ICE fora).
As manifestações na Califórnia fizeram parte de uma paralisação econômica nacional mais ampla. Em Nova York, estima-se que cerca de 7.000 pessoas se reuniram na Foley Square, em Manhattan. Em São Francisco, pelo menos 70 empresas anunciaram fechamento durante a greve.
Em Portland, Oregon, centenas de estudantes do ensino médio abandonaram as aulas, marchando pelas ruas sob uma leve chuva e carregando cartazes com os dizeres “Stop ICE Terror Now” (Parem agora o terror do ICE). Em Chicago, empresas fecharam em vários bairros.
Em Minnesota, o epicentro dos protestos, milhares de pessoas se concentraram no centro de Minneapolis. Organizadores afirmaram que mais de 500 empresas se comprometeram a fechar ou a participar de ações de solidariedade na manifestação de sexta-feira.
O governo do presidente (Donald) Trump defendeu suas operações de repressão à imigração.
Tom Homan, chefe da política de controle de fronteiras do governo, afirmou na quinta-feira que, embora o governo federal esteja trabalhando em um plano para reduzir o número de agentes federais de imigração em Minnesota, eles “não estão abrindo mão da missão do presidente em relação à aplicação das leis de imigração”.
