Pular para o conteúdo
Confira a história antifascista do Green Day antes do Super Bowl de 2026
Cultura e Esporte

Confira a história antifascista do Green Day antes do Super Bowl de 2026

Desde os primeiros trabalhos do Green Day até suas aparições mais recentes, a banda nunca evitou criticar o governo, se opor ao fascismo e defender direitos civis

Por

Via Teen Vogue

Tempo de leitura: 8 minutos.

Com o Green Day abrindo o 60º Super Bowl em 8 de fevereiro, todo mundo está pensando sobre qual declaração a banda punk rock californiana fará. Assim como o artista do show do intervalo, Bad Bunny, o Green Day tem um histórico de incorporar reflexões sobre política, acontecimentos atuais e identidade em sua música, performances e estilo.

Desde os primeiros trabalhos do Green Day até suas aparições mais recentes, a banda nunca evitou criticar o governo, se opor ao fascismo e defender direitos civis. O grupo, formado nos anos 1980, representa os princípios e valores de seus integrantes em tudo: letras, maquiagem e muito mais.

As letras políticas do Green Day

No centro de tudo, o Green Day é uma banda fundada por adolescentes rebeldes e amigos de infância: Billie Joe Armstrong e Mike Dirnt, aos quais depois se juntou Tré Cool. Em sua cidade natal, Rodeo, na Califórnia, os integrantes encontraram refúgio na cena punk underground antes de alcançarem o topo da música mundial.

Enquanto as mensagens dos primeiros trabalhos do Green Day exploravam temas pessoais para os integrantes — como viver no “deserto” de Oakland, sexualidade e saúde mental — o álbum American Idiot ficou conhecido por seus comentários políticos, especialmente as críticas ao governo do presidente George W. Bush. Lançado em setembro de 2004, pouco antes da eleição em que Bush concorria à reeleição, o álbum abre com a faixa-título, que Armstrong escreveu após os ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova York.

“Eu não acho que nós, como sociedade, já tínhamos visto algo tão explícito. Era puro caos. Eu estava tão confuso. Me senti paralisado”, disse ele durante um painel do musical da Broadway baseado no álbum.

O Green Day incluiu no disco a música Holiday, que aborda a Guerra do Iraque. Segundo a revista Rolling Stone, Armstrong a descreveu em shows como “um grande foda-se para o governo americano”. Depois explicou: “Essa música não é antiamericana, é antiguerra.”

Em 2020, Armstrong disse à Rolling Stone Australia: “Era uma época em que nosso país estava entrando em uma guerra por razões fictícias. Muito disso tinha a ver com política e petróleo… Então essa música era sobre tentar encontrar sua própria voz e individualidade e questionar tudo o que você vê na televisão, na política, na escola, na família e na religião.”

Armstrong, que anteriormente escreveu e falou sobre ser bissexual, também canta sobre a rejeição àqueles que discordam da guerra, usando um insulto homofóbico — algo significativo porque a política militar “Don’t Ask, Don’t Tell”, que permitia pessoas LGBTQ+ nas Forças Armadas apenas se escondessem sua identidade, ainda estava em vigor após ter sido assinada pelo presidente Bill Clinton em 1993.

As músicas de American Idiot — incluindo Boulevard of Broken Dreams e Give Me Novacaine — contam a história de um homem desiludido com a vida e tentando encontrar seu caminho. “Give Me Novacaine” leva diretamente a She’s a Rebel, que representa o principal interesse amoroso do personagem, descrita como um “símbolo de resistência” que “canta a revolução”.

Após a era American Idiot, o Green Day fez uma pausa, durante a qual os integrantes ajudaram voluntariamente na recuperação de Nova Orleans após o devastador furacão Katrina. Isso inspirou parte do álbum 21st Century Breakdown, de 2009, que retomou temas sociopolíticos semelhantes.

A faixa-título, por exemplo, contrapõe patriotismo e sofrimento emocional. East Jesus Nowhere menciona genocídio e protestos. Know Your Enemy aponta violência e silêncio como inimigos e convoca mobilização. Já 21 Guns toma emprestado o nome da saudação militar de 21 tiros, embora Armstrong tenha dito à Rolling Stone Australia que escreveu a canção quando mais sentia vontade de desistir.

Em entrevista à Entertainment Weekly, Armstrong comentou: “É interessante porque nosso país — e o mundo também — está na pior situação que eu já vi. Mas existe esse sentimento de esperança nas pessoas. E há muita confusão. É o momento mais estranho. E é disso que trata 21st Century Breakdown.”

O Green Day lançou Revolution Radio em 2016, incluindo o single Bang Bang, escrito como uma reflexão sobre violência armada e tiroteios em massa nos Estados Unidos. Enquanto “Bang Bang” tratava diretamente do tema, Troubled Times abordava de maneira mais ampla a situação do país.

Em entrevista à Spin sobre o álbum Father of All Motherfuckers, lançado em 2020, Armstrong e Dirnt comentaram a expectativa de que produzissem outro disco como American Idiot sobre Donald Trump. Armstrong disse que isso seria “óbvio demais”, enquanto Dirnt afirmou: “Tenho certeza de que todo mundo esperava que escrevêssemos algum grande épico sobre Trump, mas não é onde estamos agora. American Idiot ainda diz tudo o que precisa ser dito hoje.”

Mesmo assim, a banda tinha uma faixa de ataque preparada: “Temos uma música chamada ‘The Art of the Deal With the Devil’ — Trump escreveu um livro chamado The Art of the Deal lá nos anos 1980”, contou Armstrong à Kerrang! em 2019. A música não entrou em Father of All…, mas foi lançada pelo projeto paralelo da banda, The Network.

As performances políticas do Green Day

Nos últimos anos, o Green Day também comentou acontecimentos atuais durante suas apresentações. A banda liderou o público em cantos contra o fascismo e alterou letras de músicas para incluir eventos recentes.

Em 2016, o grupo ganhou manchetes ao gritar “No Trump! No KKK! No Fascist USA!” durante uma apresentação de “Bang Bang” no American Music Awards. O canto foi emprestado da banda punk MDC, que criou o slogan em 1980.

O Green Day voltou a chamar atenção em 2024 ao mudar a letra de “American Idiot” durante o programa Dick Clark’s New Year’s Rockin’ Eve. A frase original “I’m not a part of the redneck agenda” virou “I’m not a part of the MAGA agenda.”

A banda repetiu a mudança no Coachella de 2025, quando alterou a letra de Jesus of Suburbia para “running away from pain like the kids from Palestine” (“fugindo da dor como as crianças da Palestina”).

Durante um show em Johannesburgo, Armstrong também criticou Elon Musk, trocando “redneck agenda” por “Elon agenda”.

No mês passado, em um show em Los Angeles, a banda fez declarações contra o serviço de imigração dos EUA, o ICE. Antes de tocar “Holiday”, Armstrong afirmou: “Essa música é antifascista. Essa música é antiguerra. Nós apoiamos nossos irmãos e irmãs em Minnesota.” Em seguida, alterou a letra para citar diretamente Stephen Miller. O show terminou com os integrantes gritando “chinga la migra” (“foda-se o ICE”) e incentivando o público a cuidar dos vizinhos.

Moda e estética como posicionamento

Embora o estilo do Green Day tenha evoluído com o tempo, os integrantes normalmente mantiveram um visual punk e antitendência. Camisetas rasgadas, cintos com tachas e gravatas vermelhas foram elementos frequentes.

A estética também teve papel central na autoexpressão da banda. Cabelos tingidos e espetados eram comuns, assim como o uso constante de delineador, desafiando normas e binarismos de gênero, como muitas bandas punk fizeram ao longo da história do gênero.

Outros artistas relacionados ao Green Day

O Green Day não está sozinho no universo punk em relação ao ativismo sociopolítico. A banda ajudou a construir uma rede de artistas com posicionamentos semelhantes.

Um exemplo é My Chemical Romance, que já excursionou com o Green Day e também aborda temas políticos em sua arte. Em apresentações recentes de The Black Parade, o grupo encenou execuções fictícias de prisioneiros condenados por desafiar um ditador.

Em 2017, o Green Day também saiu em turnê com Against Me!, liderada por Laura Jane Grace, que assumiu publicamente ser trans em 2012.

Entre artistas mais jovens, Billie Eilish já declarou que ela e seu irmão Finneas O’Connell são fãs do Green Day. Ambos também assumiram posições políticas nos últimos anos, incluindo o uso de broches do movimento Artists4Ceasefire e “ICE OUT” em tapetes vermelhos.

Você também pode se interessar por