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As mulheres livres da CNT-FAI
História

As mulheres livres da CNT-FAI

A revista feminista Mujeres Libres era uma publicação anarquista espanhola produzida pela organização de mesmo nome

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Via Working Class History

Tempo de leitura: 2 minutos.

Em de maio de 1936 foi publicada a primeira edição de Mujeres Libres (Mulheres Livres), uma revista feminista anarquista espanhola produzida pela organização de mesmo nome, cujo objetivo era acabar com a “tripla escravidão das mulheres: à ignorância, ao capital e aos homens”.

Uma de suas cofundadoras, Lucía Sánchez Saornil, escritora, poeta e lésbica que atuava na Confederación Nacional del Trabajo, descreveu a maioria de seus companheiros homens da seguinte maneira:

“Ao mesmo tempo que se insurgem contra a propriedade, são ferozmente proprietários. Ao mesmo tempo que discursam contra a escravidão, são os mais cruéis dos ‘senhores’… O mais humilde dos escravos, assim que cruza a soleira de sua casa, transforma-se em senhor e mestre. Seu mais simples capricho converte-se em ordem obrigatória para as mulheres de sua família. Aquele que, apenas dez minutos antes, teve de engolir o amargo veneno da humilhação burguesa, ergue-se como um tirano e faz essas infelizes engolirem o amargo veneno de sua suposta inferioridade.”

O grupo desempenhou posteriormente um papel importante na Revolução Espanhola, iniciada ainda naquele mesmo ano, em meio à eclosão da Guerra Civil Espanhola.

Em particular, as Mujeres Libres impulsionaram uma ampla campanha educacional para combater os elevados índices de analfabetismo entre mulheres e meninas. Também organizaram sistemas coletivos de cuidado infantil em fábricas e comunidades, trabalharam em conjunto com a CNT para capacitar mulheres para empregos assalariados e defenderam a igualdade salarial.

Além disso, várias integrantes das Mujeres Libres estiveram entre as mulheres que se voluntariaram para combater na linha de frente contra as forças nacionalistas durante a Guerra Civil Espanhola.

Em seu auge, a organização reuniu cerca de 20 mil mulheres e tornou-se uma das experiências mais significativas de articulação entre anarquismo, feminismo e emancipação das trabalhadoras na história da Espanha.

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