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Ceuta: mais migrantes deixam a cidade; líder da extrema direita visita a região
Extrema Direita

Ceuta: mais migrantes deixam a cidade; líder da extrema direita visita a região

Santiago Abascal, líder do partido de extrema direita Vox, visitou hoje a cidade e acusou o governo espanhol de estar subordinado aos interesses de Marrocos

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Via Euronews

Tempo de leitura: 2 minutos.

Aqui, na fronteira entre Ceuta e Marrocos, a situação está muito mais calma do que nos últimos dias. Segundo as autoridades espanholas, a maioria das pelo menos 60 mil pessoas que atravessaram irregularmente esse ponto da fronteira na quinta-feira já retornou.

Ainda há um fluxo esporádico, mas constante, de pessoas voltando. A maioria dos que estão regressando afirma que entrou na Espanha após receber mensagens nas redes sociais dizendo que a fronteira estava aberta e que não era necessária nenhuma documentação.

Enquanto isso, na cidade, o medo deu lugar à indignação. Praticamente todas as pessoas com quem conversei não conseguem compreender como essa situação pôde acontecer e exigem explicações urgentes. O clima social é tenso e alimenta o debate político.

Um motorista de táxi me disse:

“Tenho a impressão de que as pessoas estão muito, muito zangadas. Sei que estão muito zangadas neste momento. Somos 85 mil habitantes aqui e 60 mil pessoas estão entrando. Então me diga: o que fazemos? O que vamos fazer? Nem pão conseguimos comprar. Não havia pão. Não havia nada. Nada, nada. Tudo estava fechado.”

Embora ele tenha evitado atribuir a culpa a alguém, alguns moradores foram mais incisivos. Referindo-se à dificuldade jurídica inicial de devolver imediatamente os migrantes, já que haviam chegado por via marítima, um homem de meia-idade chamou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, de “cúmplice”, acrescentando:

“Isso é uma vergonha — para mim, uma vergonha. Nunca vi nada parecido em toda a minha vida.”

Alguns moradores de Ceuta, por outro lado, ressaltam o dever humanitário diante da crise. Um aposentado de 78 anos me disse:

“Se há crianças ali, elas precisam receber algo para beber, precisam receber algo para comer. Isso é apenas bom senso. Mas agora toda Ceuta, toda a Espanha — e a Espanha está com vocês — está ao lado de vocês.”

No entanto, ele também condenou a situação como um todo:

“Isto é um estado de emergência e praticamente uma declaração de lei marcial. Só para ir fazer compras no Mercadona, preciso passar por um soldado a cada dez metros, depois outro a dez ou vinte metros, e é preciso abastecer bem as tropas e a polícia. Isso é um estado de sítio, uma emergência nacional. Não há dúvida quanto a isso.”

O líder do partido Vox, Santiago Abascal, visitou a cidade nesta sexta-feira e acusou o governo espanhol de estar submetido aos interesses de Marrocos.

Falando à imprensa, Abascal atribuiu a responsabilidade pelo ocorrido ao governo de Rabat e, sobretudo, ao próprio Pedro Sánchez.

Segundo ele, Marrocos agiu convencido de que não haveria resposta nem represálias, porque o primeiro-ministro espanhol é, em suas palavras, “submisso ao país africano”.

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