Ministro israelense de extrema direita zomba de prisioneira palestina por denunciar as duras condições na prisão
Mulher palestina presa em Israel diz a Itamar Ben-Gvir que sofre de depressão e enfrenta a falta de alimentação adequada e de água potável
O ministro da Segurança Nacional de Israel, conhecido por suas posições extremistas, zombou de uma prisioneira palestina depois que ela reclamou das duras condições de detenção e da falta de itens básicos, dizendo que “a prisão não é um hotel”.
O diálogo, divulgado pelo próprio Itamar Ben-Gvir em seu canal no Telegram na sexta-feira, aparece em um vídeo gravado dentro de uma prisão israelense.
Falando por meio de um intérprete, Ben-Gvir perguntou à prisioneira como ela estava.
Ela respondeu que não estava bem, que havia desenvolvido depressão e sofria danos psicológicos.
— Como estão as condições de detenção aqui? — perguntou então Ben-Gvir.
— Não há comida boa, nem água limpa, não há nada — respondeu ela.
— A comida não deve ser boa. Isto não é um hotel, retrucou Ben-Gvir. Quem faz esse tipo de coisa deve pensar nas consequências. Qualquer pessoa que cometa um crime precisa aprender, especialmente se for contra o povo de Israel.
Ele acrescentou:
— Isto não é um hotel. Já foi um dia, mas não é mais. Você deveria pensar no que fez.
Ben-Gvir tornou-se conhecido por declarações racistas e depreciativas contra os palestinos. Em 2023, afirmou:
“O direito meu, da minha esposa e dos meus filhos de circular pela Cisjordânia é mais importante do que o dos árabes.”
Em maio deste ano, seu gabinete divulgou um vídeo em que ele zombava dos participantes de uma flotilha de ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza, que foi atacada ilegalmente por Israel em águas internacionais. Enquanto obrigava os detidos da missão humanitária a permanecerem ajoelhados, com as mãos amarradas e ouvindo o hino nacional israelense, Ben-Gvir declarou:
“Bem-vindos a Israel. Aqui, os donos somos nós.”
Desde que assumiu o cargo, no fim de 2022, Ben-Gvir endureceu as condições impostas aos prisioneiros palestinos, adotando medidas que, segundo organizações de direitos humanos, incluem privação de alimentos, negligência médica, tortura e confinamento solitário.
Recentemente, ele chegou a propor a instalação de crocodilos do lado de fora das prisões que abrigam palestinos como medida de segurança.
Segundo organizações palestinas e israelenses de direitos humanos, Israel mantém cerca de 9.500 prisioneiros palestinos, entre eles 94 mulheres e mais de 350 crianças, que enfrentam condições de fome, tortura e negligência médica.
