A morte de Jean Seberg
O ícone do cinema e apoiadora dos Panteras Negras, morreu por suicídio após uma campanha de perseguição e assédio promovida pelo FBI
Em agosto de 1979, a atriz Jean Seberg, ícone do cinema e apoiadora dos Panteras Negras, morreu por suicídio após uma campanha de perseguição e assédio promovida pelo FBI, que havia contribuído para a morte de seu bebê prematuro nove anos antes.
Ela havia fornecido apoio financeiro significativo à National Association for the Advancement of Colored People (NAACP), a grupos voltados à educação de povos indígenas e aos Panteras Negras, inclusive ao programa gratuito de café da manhã para crianças em idade escolar.
Como parte da operação COINTELPRO do FBI, dirigida contra movimentos radicais, o telefone de Seberg já vinha sendo grampeado. Quando a agência soube que Seberg estava grávida, sob a supervisão do diretor do FBI, J. Edgar Hoover, foi criada uma falsa história segundo a qual o pai de seu bebê seria um importante integrante dos Panteras Negras, e não seu marido.
A história foi publicada pela primeira vez pela colunista de fofocas Joyce Haber no Los Angeles Times e, posteriormente, distribuída por cerca de uma centena de outros jornais, antes de se espalhar ainda mais amplamente.
Algumas semanas depois da publicação da história, Seberg sofreu uma overdose de pílulas para dormir e, posteriormente, deu à luz prematuramente uma menina que morreu dois dias depois. No funeral de sua filha, Seberg abriu o caixão para provar que a história era falsa e que o bebê era filho de seu marido.
Segundo pessoas que a conheciam, a história desencadeou uma espiral de sofrimento para Seberg, que culminou em seu suicídio.
