
A verdadeira origem do termo skinhead que virou sinônimo de neonazismo
A verdadeira origem dos skinheads não tem nada a ver com o racismo ou com a supremacia branca.
Via Hypeness
Uma breve história do movimento skinhead
A Inglaterra dos anos 60 era um local com grande efervescência cultural. Ao som de The Who e Small Faces, os mods eram uma das principais tribos da juventude britânica. Com lambretas e terninhos, os jovens tinham um estilo definido, sofisticado e moderno, que se diferenciava dos hippies que dominavam os EUA na segunda metade da década.
Durante esse período, uma grande massa de imigrantes caribenhos (em especial jamaicanos) chegaram ao Reino Unido. Os jovens negros se diferenciavam por seu estilo marcante e eram conhecidos como ‘rude boys’. Com trajes sociais e muita marra, eles trouxeram o ska para os clubes britânicos, gênero que se tornou uma grande febre na ilha nos anos posteriores.
O movimento skinhead surge justamente como uma renovação do mod que se combinou com os rude boys. A trilha sonora dos carecas era o ska, um gênero majoritariamente negro.
O movimento era, teoricamente, apolítico, em seu início. A Inglaterra viveu, até 1976, um período relativamente estável politicamente, mas uma sequência de crises econômicas e a ascensão de governos de direita no país tornaram o país um grande caldeirão de movimentos políticos e sociais.
1976 é um ano marcante para a música britânica: é o ano de formação do The Clash e dos Sex Pistols. O punk se forma e junto dele o ska ganha uma segunda onda com a 2 Tone, gravadora que marcaria a chegada de bandas como The Specials, Bodysnatchers (grupo de ska 100% feminino) e Madness no cenário britânico.
Se as bandas do punk estavam mais ligadas com uma tese anarquista sobre a sociedade britânica, o ska vinha com uma grande pegada social contra o governo de Margareth Tatcher, um governo neoliberal que criminalizou diversos movimentos de operário ao redor da ilha.
Crise na Inglaterra e ascensão do neonazismo
A crise econômica e social vivida na Inglaterra entre 1976 e 1985 se tornou a raiz para um movimento de polarização política no país. De um lado, os movimentos de esquerda se tornaram mais radicais. Do outro, grupos neonazistas como o National Front também cresceram. E boa parte dos nazistas do National Front se apropriaram do estilo skinhead.
Um bom jeito de entender isso é a história da banda britânica Skrewdriver. Originalmente uma banda formada em 1976 de streetpunk (gênero que bebe da fonte do Ska), a banda se dividiu em 1979 quando alguns membros se filiaram a grupos de direita. A banda se tornou então a principal referência cultural do RAC (Rock Against Communism) e dos boneheads, nome dado aos nazistas que se apropriaram do movimento skinhead.
A cobertura da mídia também não ajudou na hora de fazer a diferenciação entre esses grupos. Na imprensa britânica, não havia diferenciação entre os skinheads e os boneheads, e todo mundo foi jogado no mesmo balaio.
Skinheads antifascistas
A associação do movimento com o nazismo o enfraqueceu. Mas muita gente luta contra esse processo. Foi aqui foram formados os grupos RASH e SHARP. Os Rash (acrônimo para Red and Anarchist Skinheads – ou Skinheads Anarquistas e Vermelhos) são skinheads socialistas e anarquistas que lutam contra a homofobia, o racismo, o fascismo e a desigualdade social. Os SHARP (Skinheads Against Racial Prejudice) são um grupo contra o racismo.
Ainda hoje, há uma certa dificuldade em compreender e ler separadamente os boneheads dos skinheads. A similaridade nas vestimentas causa confusão e é difícil desassociar os nazis dos antifascistas. Mas é interessante observar a história desse movimento que surgiu com forte influência dos imigrantes negros do Reino Unido e foi apropriado por supremacistas brancos.