A CIA contra a arte soviética
O Congresso pela Liberdade Cultural era uma iniciativa operada no contexto da Guerra Fria
Neste dia, 26 de junho de 1950, foi fundada a organização artística internacional Congresso pela Liberdade Cultural em uma conferência em Berlim, que, sem o conhecimento dos participantes, era patrocinada pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA).
A iniciativa fazia parte do que é conhecido como a “guerra fria cultural”, na qual as rivalidades geopolíticas entre os Estados Unidos e a União Soviética se manifestavam na esfera cultural. A União Soviética havia adotado o realismo socialista como o movimento artístico oficial aprovado pelo Estado e denunciava outros movimentos artísticos como elitistas.
Assim, sem o conhecimento de nenhum dos artistas, a CIA decidiu promover movimentos artísticos rivais, incluindo o expressionismo abstrato. Um agente da CIA, Donald Jameson, explicou isso em uma entrevista com Frances Stonor Saunders:
“Percebemos que esse era o tipo de arte que não tinha nada a ver com o realismo socialista e fazia com que este parecesse ainda mais estilizado, rígido e restrito do que realmente era. Naquela época, Moscou era muito severa em sua denúncia de qualquer tipo de não conformidade com seus próprios padrões extremamente rígidos. Portanto, era possível raciocinar de forma bastante adequada e precisa que qualquer coisa que eles criticassem tanto e com tanta severidade merecia apoio, de uma forma ou de outra”.
A CIA canalizou dinheiro para o Congresso em segredo, por meio de fundações culturais privadas, particularmente a de Nelson Rockefeller, presidente de longa data do Museu de Arte Moderna de Nova York.
Quando a notícia do apoio da CIA veio à tona em 1966, o projeto entrou em colapso.
