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Eleições presidenciais de 2027 na França: a extrema direita pode vencer sem Le Pen?
Extrema Direita

Eleições presidenciais de 2027 na França: a extrema direita pode vencer sem Le Pen?

Desde sua fundação como Frente Nacional, em 1972, o principal partido de extrema direita da França foi, por muito tempo, sinônimo de seu fundador, Jean-Marie Le Pen. Sua filha Marine Le Pen, que assumiu a liderança em 2011, renomeou o partido como Agrupamento Nacional (RN). Após duas campanhas presidenciais fortes, mas malsucedidas, contra Emmanuel Macron, &hellip; <a href="https://espacoantifascista.net/2026/06/22/extrema-deireita/eleicoes-presidenciais-de-2027-na-franca-a-extrema-direita-pode-vencer-sem-le-pen/">Continued</a>

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Via France 24

Tempo de leitura: 6 minutos.

Desde sua fundação como Frente Nacional, em 1972, o principal partido de extrema direita da França foi, por muito tempo, sinônimo de seu fundador, Jean-Marie Le Pen. Sua filha Marine Le Pen, que assumiu a liderança em 2011, renomeou o partido como Agrupamento Nacional (RN).

Após duas campanhas presidenciais fortes, mas malsucedidas, contra Emmanuel Macron, parecia que 2027 poderia ser a melhor oportunidade de Marine Le Pen até o momento. Os índices de aprovação de Macron estão baixos e sua ala política ficou enfraquecida, enquanto o RN aparece nas pesquisas bem à frente dos demais candidatos, com sua candidata geralmente obtendo cerca de 31–36% das intenções de voto para o primeiro turno.

Mas a candidatura de Le Pen foi colocada em risco. Em março de 2025, ela foi condenada por desvio de fundos públicos do Parlamento Europeu para pagar funcionários do RN e impedida de concorrer a cargos públicos por cinco anos. Ela entrou com um recurso logo após a sentença e aguarda o veredicto em 7 de julho. Agora, Le Pen e o RN se deparam com uma questão fundamental: o partido conseguirá vencer sem sua figura de proa?

Uma alternativa endossada pelo TikTok

O RN parece estar considerando apenas um possível substituto para Le Pen: Jordan Bardella. O jovem de 30 anos assumiu a presidência do partido em 2022, usando sua habilidade nas redes sociais para atrair um novo público de jovens apoiadores e levando o partido a uma vitória histórica nas eleições europeias de 2024.

Bardella está até mesmo ligeiramente à frente de Le Pen nas pesquisas. Thibault Muzergues, diretor político da Shared Ground e autor de “La droite woke” (A direita woke), disse que isso pode se dever ao fato de que “Bardella está posicionando a política do RN muito mais em torno da oposição entre esquerda e direita”.

Embora o RN tenha mantido uma posição “nem de direita nem de esquerda”, como Le Pen gosta de dizer, Bardella se afastou um pouco da tradição. Ele afirmou que votaria pessoalmente na candidata do partido de direita Les Républicains, Rachida Dati, nas eleições municipais de Paris.

Baptiste Roger-Lacan, pesquisador da Fondation Napoléon e autor de “Le Roi, une autre histoire de la droite” (O Rei: outra história da direita), argumenta que o eleitorado francês estaria pronto para uma “união da direita” que inclua o RN. Ainda assim, ele não está convencido de que Bardella consiga garantir uma vitória no dia da eleição.

“[Bardella] é popular no TikTok, mas não há nenhuma estrutura no RN que tenha trabalhado em como converter esse apoio digital em votos reais”, disse Roger-Lacan.

Bardella também é relativamente novo na política. Se eleito presidente, ele se tornaria o líder mais jovem da França desde Napoleão Bonaparte, tendo ingressado no partido em 2012 e sem experiência profissional fora da política.

“[Bardella] enfrentará outros candidatos experientes”, observa Roger-Lacan. “Ele é extremamente inexperiente, e isso é um problema.”

Quem vai detê-los?

Seja Le Pen ou Bardella quem assumir a liderança, qualquer adversário terá que travar uma batalha considerável para derrotar o RN, o único partido que tem quase certeza de chegar ao segundo turno, de acordo com as pesquisas atuais.

Da esquerda, um dos principais adversários será Jean-Luc Mélenchon, do partido “França Indomável”, um ex-trotskista polêmico que registra entre 13% e 13,5% nas pesquisas. Embora Mélenchon seja popular entre os eleitores da Geração Z, ele também é a figura política mais impopular da França, de acordo com uma pesquisa recente.

Isso sempre pode mudar, mas Victor Mallet, editor sênior do Financial Times e autor de “França de extrema direita: Le Pen, Bardella e o futuro da Europa”, afirma que, se Mélenchon chegar ao segundo turno contra o RN, o partido de extrema direita terá mais chances de vencer – com ou sem Le Pen.

“Ninguém da centro-direita vai votar em alguém da extrema esquerda, ao passo que votariam em Bardella”, disse Mallet. “O constrangimento de ser associado ao RN está realmente ficando no passado.”

Isso deixa os candidatos do centro e da direita, que Mallet considera uma ameaça maior. Atualmente, as opções que mais chamam a atenção são Édouard Philippe, líder do partido Horizons e ex-primeiro-ministro, que tem entre 13% e 14,5% nas pesquisas, e Gabriel Attal, outro ex-primeiro-ministro do próprio partido de Macron, o Renaissance, com 8,5% a 9,5% nas pesquisas.

Muzergues não está confiante nas chances de nenhum candidato derrotar Le Pen ou Bardella. Para ele, uma presidência do RN não é uma questão de “se”, mas de “quando”.

No entanto, Célia Belin, chefe do escritório de Paris do Conselho Europeu de Relações Exteriores, acredita que o RN possa sofrer uma queda nas pesquisas assim que o veredicto sobre Le Pen for anunciado, argumentando que o partido é mais popular com Bardella e Le Pen no comando.

“O RN pode estar atualmente no auge de seu poder porque conta com essas duas pessoas”, disse Belin.

Belin também destaca que as campanhas presidenciais francesas continuam sendo altamente imprevisíveis. A eleição de 2017, na qual Emmanuel Macron passou de índices de intenção de voto na casa dos 10% poucos meses antes da votação para, por fim, conquistar a presidência, ilustra a rapidez com que o cenário político pode mudar.

Por isso, ela adverte que ainda é muito cedo para tirar conclusões definitivas sobre o resultado da disputa de 2027.

“É impossível prever neste momento”, disse Belin. “Tudo pode acontecer.”

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