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Alemanha tem quase 60 mil extremistas de direita, diz serviço de inteligência
Extrema Direita

Alemanha tem quase 60 mil extremistas de direita, diz serviço de inteligência

Dos extremistas de direita identificados, cerca de 5.600 são considerados propensos à violência

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Via BBC

Tempo de leitura: 4 minutos.

Os extremistas de direita continuam sendo a maior ameaça à democracia alemã e seu número aumentou significativamente para 58.700 no ano passado, segundo o serviço de inteligência interna da Alemanha.

Esse número representa um aumento de mais de 8 mil pessoas em relação ao ano anterior, de acordo com o relatório anual da agência, que também alerta para o crescimento da violência da extrema esquerda, classificando-a como um sinal de alerta para o Estado de Direito alemão.

A democracia alemã esteve sob “ataque praticamente permanente”, tanto de dentro quanto de fora do país, afirmou Sinan Selen, diretor do Escritório Federal para a Proteção da Constituição (BfV).

Segundo o relatório, as principais atividades de espionagem contra a Alemanha tiveram origem na Rússia, na China e no Irã.

Dos extremistas de direita identificados pelo BfV, cerca de 5.600 são considerados propensos à violência.

A agência atribui o aumento do número de extremistas de direita, em grande parte, ao crescimento do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), cuja filiação chegou a 70 mil membros em 2025.

A AfD realizará sua convenção partidária neste fim de semana na cidade de Erfurt, no leste do país, e o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, advertiu para a possibilidade de episódios de violência durante os protestos contra o evento. Segundo ele, as manifestações devem permanecer estritamente pacíficas.

A AfD ficou em segundo lugar nas eleições federais do ano passado, conquistando um recorde de 152 cadeiras no Parlamento, que possui 630 assentos, com 20,8% dos votos.

O partido aparece com cerca de 40% das intenções de voto para as eleições estaduais de setembro na Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha. Esse percentual pode ser suficiente para garantir maioria absoluta, permitindo à legenda formar, pela primeira vez, um governo estadual.

O relatório do BfV afirma que grupos de extrema direita estão concentrando cada vez mais seus esforços em influenciar crianças e jovens, além de recrutar novos integrantes em festivais de música da extrema direita, cujo número também atingiu um recorde no ano passado.

A AfD permanece sob suspeita de extremismo

A AfD foi classificada no ano passado como uma organização extremista de direita. No entanto, essa classificação foi suspensa em fevereiro após o partido contestar a decisão do BfV na Justiça, e o julgamento ainda está pendente.

Na ocasião, o Ministério das Relações Exteriores da Alemanha defendeu a decisão depois que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, classificou a medida como uma “tirania disfarçada”, enquanto o vice-presidente JD Vance afirmou que o Muro de Berlim estava sendo reconstruído.

Apesar da suspensão da classificação definitiva, a agência de inteligência continua listando a AfD como uma “organização suspeita de extremismo”.

Em seu relatório mais recente, o órgão afirma:

“Diante do crescimento do número de filiados, é possível supor que também tenha aumentado o contingente de indivíduos com tendências extremistas dentro da AfD.”

O documento acrescenta que narrativas da extrema direita e teorias conspiratórias — como a ideia da “substituição populacional” ou da “Grande Substituição” — são frequentemente adotadas pela AfD e por outros grupos da direita.

O relatório também identificou cerca de 26 mil extremistas de direita ligados aos movimentos Reichsbürger (“Cidadãos do Reich”) e Selbstverwalter (“autoadministradores”).

Segundo o documento, esses grupos:

“não reconhecem a República Federal da Alemanha como um Estado; rejeitam nossa Constituição, nossas leis e nossas autoridades, frequentemente propagando teorias da conspiração e narrativas antissemitas.”

O relatório também aponta que o número de pessoas envolvidas com o extremismo de esquerda aumentou em 4.200 no último ano, alcançando 42.200 integrantes. Também houve um crescimento significativo dos episódios de violência contra supostos extremistas de direita e contra policiais.

Por fim, a agência registrou um leve aumento no número de indivíduos ligados ao islamismo ou ao chamado “terrorismo islamista”, que passou para 28.645 pessoas.

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