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Dois anos depois: por que a extrema direita continua crescendo na Europa
Extrema Direita

Dois anos depois: por que a extrema direita continua crescendo na Europa

Um estudo analisa quatro narrativas otimistas sobre um suposto declínio da extrema direita e explica por que todas elas fracassaram

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Via EPC

Tempo de leitura: 3 minutos.

Dois anos após as eleições para o Parlamento Europeu de 2024, as principais tendências daquele momento permanecem intactas. Os partidos tradicionais continuam perdendo espaço, as forças antissistema seguem em crescimento e a esperada reversão da ascensão da extrema direita ainda não se concretizou. Este estudo analisa quatro narrativas otimistas sobre um suposto declínio da extrema direita e explica por que todas elas fracassaram.

A primeira narrativa sustenta que a participação no governo prejudica os partidos de extrema direita, já que os eleitores observariam as consequências de suas políticas e passariam a rejeitá-los. As evidências, no entanto, são ambíguas: partidos que atuam como parceiros minoritários de coalizão tendem a sofrer perdas eleitorais, mas governos liderados pela extrema direita, em sua maioria, mantiveram ou ampliaram seu apoio. Mesmo quando um partido específico perde força, outros atores antissistema ou de extrema direita frequentemente conseguem conquistar o mesmo eleitorado.

A segunda narrativa afirma que as divisões internas da extrema direita acabariam se transformando em um problema eleitoral. Embora esses grupos permaneçam profundamente divididos — especialmente em temas como defesa, comércio e política externa —, essas contradições não se traduziram em custos eleitorais. Os partidos democráticos não exploraram essas divergências de maneira suficientemente contundente, enquanto os eleitores permaneceram, em grande medida, indiferentes.

A terceira narrativa trata do chamado efeito Trump, segundo o qual a associação dos partidos europeus de extrema direita com o novo governo norte-americano se tornaria um fator de desgaste. De fato, líderes da extrema direita passaram a se distanciar publicamente de Donald Trump em temas como a Groenlândia, a operação na Venezuela, a guerra contra o Irã e as disputas comerciais. Ao mesmo tempo, conseguiram reposicionar sua imagem sem perder apoio entre seus eleitores, enquanto as forças democráticas não souberam aproveitar essa oportunidade. Até o momento, Trump parece ter influenciado mais o comportamento da extrema direita do que seu desempenho eleitoral.

A quarta narrativa diz respeito à estratégia da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de normalizar o grupo Conservadores e Reformistas Europeus (ECR), ao mesmo tempo em que mantinha isolados os grupos Patriotas pela Europa (PfE) e Europa das Nações Soberanas (ESN). Em termos eleitorais, essa estratégia não apresentou resultados positivos: o Partido Popular Europeu (PPE) perdeu apoio, os grupos excluídos foram justamente os que mais cresceram e o ECR não obteve ganhos claros por sua maior aproximação com os partidos tradicionais.

O crescimento contínuo da extrema direita reflete fatores estruturais profundos — como a inflação, a desconfiança nas instituições políticas, a imigração e a competição econômica global — que as estratégias políticas de curto prazo ainda não conseguiram enfrentar.

A única nota moderadamente positiva é que as pesquisas de intenção de voto para a extrema direita se estabilizaram desde o fim de 2025, sugerindo a possibilidade de um período de estagnação. Se essa tendência se confirmará dependerá da disposição das forças democráticas para abandonar estratégias meramente reativas e enfrentar as causas estruturais que alimentam a onda antissistema. Dois anos depois das eleições de 2024, essa mudança de rumo continua pendente.

Leia o estudo completo aqui (em inglês).

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