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Ministro israelense de extrema direita é condenado por zombar de ativistas da flotilha para Gaza algemados
Extrema Direita

Ministro israelense de extrema direita é condenado por zombar de ativistas da flotilha para Gaza algemados

Condenação internacional ao tratamento dado por Israel a ativistas pró-Palestina da flotilha para Gaza

Por e

Via BBC

Tempo de leitura: 8 minutos.

Houve condenação internacional ao tratamento dado por Israel aos ativistas pró-Palestina que estavam a bordo de uma flotilha de ajuda humanitária com destino a Gaza, interceptada por forças navais israelenses.

Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália e Canadá estiveram entre os países que expressaram indignação após o ministro da Segurança Nacional de extrema direita, Itamar Ben-Gvir, publicar um vídeo em que aparece zombando de ativistas ajoelhados, com as mãos amarradas para trás.

As ações de Ben-Gvir também provocaram uma rara crítica do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que afirmou que elas “não estão de acordo com os valores de Israel”.

Um grupo de direitos humanos que representa os detidos afirmou que eles sofreram abusos físicos, resultando em “ferimentos graves e generalizados”.

A organização Adalah informou que pelo menos três pessoas foram levadas ao hospital e posteriormente receberam alta.

“Os advogados da Adalah documentaram dezenas de participantes com suspeitas de costelas quebradas e consequentes dificuldades respiratórias”, declarou o grupo.

“Os relatos também indicam o uso frequente de armas de choque elétrico (tasers) contra os participantes, bem como ferimentos causados pelo uso de balas de borracha durante a interceptação.”

O grupo acrescentou que os ativistas também foram submetidos a “grave degradação, assédio sexual e humilhação”.

As autoridades israelenses não comentaram as acusações.

Mais de 50 embarcações que participavam da Flotilha Global Sumud partiram da Turquia na última quinta-feira transportando uma quantidade simbólica de ajuda humanitária. Havia 430 pessoas de mais de 40 países a bordo.

Israel classificou a ação como uma “manobra de relações públicas a serviço do Hamas”.

Na manhã de segunda-feira, comandos navais israelenses armados começaram a interceptar a flotilha em águas internacionais a oeste de Chipre, cerca de 250 milhas náuticas (460 km) da costa de Gaza, que está sob bloqueio marítimo israelense.

Os organizadores da Flotilha Global Sumud afirmaram que todas as embarcações haviam sido interceptadas até a noite de terça-feira, embora uma delas tenha conseguido chegar a menos de 80 milhas náuticas do território palestino.

Eles acusaram Israel de uma “agressão ilegal em alto-mar” e disseram que os comandos israelenses abriram fogo contra seis embarcações, utilizaram canhões de água e colidiram deliberadamente com um dos barcos.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que não foi utilizada munição real e insistiu que “não permitirá qualquer violação do bloqueio naval legal sobre Gaza”.

O ministério também declarou que todos os ativistas haviam sido transferidos para embarcações israelenses e que poderiam encontrar representantes consulares após chegarem a Israel.

Na quarta-feira de manhã, a Adalah informou que os ativistas estavam sendo “levados para território israelense inteiramente contra sua vontade” e mantidos detidos no porto de Ashdod.

“A equipe jurídica contestará a legalidade dessas detenções e exigirá a libertação imediata de todos os participantes da flotilha”, acrescentou.

Na tarde do mesmo dia, Ben-Gvir — ultranacionalista que, como ministro da Segurança Nacional, supervisiona a polícia israelense — publicou um vídeo nas redes sociais com a legenda “Bem-vindos a Israel”. As imagens mostravam sua visita a um centro de detenção no porto de Ashdod onde os ativistas estavam sendo mantidos.

Ele aparece incentivando agentes de segurança enquanto estes empurram uma ativista que gritava “Palestina livre” quando ele passava.

Em seguida, Ben-Gvir é mostrado agitando uma grande bandeira israelense diante de dezenas de ativistas ajoelhados no chão, com as mãos amarradas para trás. Em hebraico, ele lhes diz: “Bem-vindos a Israel. Nós somos os donos da casa.”

Outros ativistas aparecem ajoelhados no convés de um navio enquanto o hino nacional israelense é tocado.

O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, classificou as ações de Ben-Gvir como “repugnantes”.

A secretária do Interior do Reino Unido, Yvette Cooper, afirmou que o vídeo mostrava cenas “totalmente vergonhosas” e acrescentou que convocou a embaixada israelense para exigir uma “explicação urgente”.

Ela já havia informado que o governo estava em contato com familiares de vários cidadãos britânicos envolvidos para prestar assistência consular.

No ano passado, Ben-Gvir e outro ministro israelense foram alvo de sanções impostas pelo Reino Unido, Austrália, Noruega, Canadá e Nova Zelândia por “incitações repetidas à violência contra comunidades palestinas”. Foi a primeira vez que ministros israelenses sofreram sanções de governos ocidentais.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, descreveu o tratamento dado por Israel aos ativistas como “abominável” e informou que determinou a convocação do embaixador israelense.

“A proteção dos civis e o respeito à dignidade humana devem ser garantidos em todos os lugares e em todos os momentos”, escreveu Carney na rede X.

A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, condenou Ben-Gvir, afirmando que as ações das autoridades israelenses foram “degradantes”.

Austrália, Itália, França, Holanda, Bélgica e Espanha também consideraram as ações de Ben-Gvir “inaceitáveis” e convocaram seus respectivos embaixadores israelenses.

A ministra das Relações Exteriores da Irlanda, Helen McEntee, afirmou que as imagens mostravam que os participantes “detidos ilegalmente”, incluindo cidadãos irlandeses, “não estavam sendo tratados com a dignidade e o respeito adequados”.

A Adalah declarou que as imagens demonstravam que Israel está “aplicando uma política criminosa de abuso e humilhação contra ativistas”.

Em uma medida incomum, o próprio ministro das Relações Exteriores de Israel criticou seu colega de gabinete.

Dirigindo-se a Ben-Gvir pela rede X, Gideon Saar escreveu: “Você conscientemente prejudicou nosso Estado com essa exibição vergonhosa — e não é a primeira vez.”

Ben-Gvir respondeu rapidamente: “Espera-se que o ministro das Relações Exteriores compreenda que Israel deixou de ser um capacho.”

Posteriormente, Netanyahu também divulgou uma reprimenda.

“Israel tem todo o direito de impedir que flotilhas provocativas de apoiadores terroristas do Hamas entrem em nossas águas territoriais e cheguem a Gaza”, afirmou um comunicado. “No entanto, a forma como o ministro Ben-Gvir tratou os ativistas da flotilha não está de acordo com os valores e normas de Israel.”

O primeiro-ministro acrescentou que instruiu as autoridades israelenses a “deportarem os provocadores o mais rapidamente possível”.

A Flotilha Global Sumud afirmou que os ativistas transportavam alimentos, fórmula infantil e suprimentos médicos para os palestinos de Gaza, onde as condições de vida permanecem extremamente precárias e a maior parte dos 2,1 milhões de habitantes continua deslocada, apesar do cessar-fogo acordado entre Israel e Hamas em outubro passado.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel alegou que Gaza está “inundada de ajuda”, afirmando que mais de 1,5 milhão de toneladas de ajuda humanitária e milhares de toneladas de suprimentos médicos entraram no território nos últimos sete meses.

A ONU informou na semana passada que muitas famílias deslocadas em Gaza continuam vivendo em tendas superlotadas ou em estruturas gravemente danificadas por não haver alternativas mais seguras.

O acesso a serviços básicos continua limitado, acrescentou a organização, devido ao fornecimento irregular de água potável e às dificuldades dos sistemas de gestão de resíduos, incapazes de responder adequadamente aos problemas de saúde pública. Pragas e roedores também representam um problema crescente.

A ONU afirmou ainda que as operações humanitárias continuam sendo prejudicadas por restrições à entrada de peças de reposição essenciais, geradores de emergência e outros equipamentos, além da escassez de insumos básicos, incluindo combustível e óleo para motores.

Segundo a organização, apenas 86% dos suprimentos humanitários inicialmente aprovados pelas autoridades israelenses para entrar em Gaza em abril foram efetivamente descarregados nos postos de fronteira. O restante retornou aos seus locais de origem.

A guerra em Gaza começou após o ataque liderado pelo Hamas contra o sul de Israel em 7 de outubro de 2023, quando cerca de 1.200 pessoas foram mortas e outras 251 foram feitas reféns.

Israel respondeu lançando uma campanha militar em Gaza, durante a qual mais de 72.770 pessoas foram mortas, de acordo com o Ministério da Saúde do território administrado pelo Hamas.

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